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Mr. Mercedes | Resenha


Todo mundo gosta do vendedor de sorvetes.

  
Ei!

Tudo bem?

Estamos no fim de julho e hoje é dia da nossa postagem especial que faz parte do Desafio King que consiste em ler uma obra do mestre por mês até o final de 2019. O livro escolhido para o mês é Mr. Mercedes, primeiro livro de uma trilogia composta pelos outros dois volumes, Achados e Perdidos e O Último Turno. Hoje vim contar para vocês um pouquinho dessa história empolgante e alucinante.

Vamos lá?




Título Original: Mr. Mercedes
Autor(a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Thriller, Suspense
Número de Páginas: 393
Sinopse: Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado.



Poucos autores conseguem escrever livros de gêneros distintos e manter a mesma qualidade de escrita. Stephen King, felizmente, se encontra nessa lista. O autor está acostumado a trazer histórias de terror envolvendo vampiros, assombrações, palhaços assassinos, alienígenas, e outras criaturas aterrorizantes. Seu acervo é vasto e tem pra todo gosto. Tendo o terror como zona de conforto, King se arrisca em uma trilogia de suspense policial: Mr. Mercedes é um thriller que traz como protagonista, o policial aposentado Bill Hodges. Uma coisa eu adianto para vocês: Se King estava nervoso ou inseguro por escrever um livro que foge de sua zona de criação, ele não demonstrou transparecer em momento algum e o resultado é uma história original e aletrizante envolvendo o policial e o serial killer conhecido como Mr. Mercedes. 


"Pessoas tão desesperadas por um emprego que se levantaram no meio da noite e ficaram esperando na névoa úmida as portas se abrirem. Vidas perdidas. Esperanças perdidas. Almas perdidas."


O assassino se tornou conhecido após roubar o carro de uma senhora rica (um Mercedes) e realizar um verdadeiro massacre em uma feira de empregos, atropelando homens, mulheres e bebês. Com um total de 8 vítimas, o assassino consegue fugir e, apesar das investigações da polícia comandadas por Hodge e seu parceiro, ele não é pego e sua identidade continua um mistério. Um ano depois, o já aposentado Hodges sofre de intensa depressão, perdendo sua família e destruindo o casamento pelo sentimento de culpa que o consome pois o caso ainda segue sem resolução. Tudo volta à tona quando o mesmo recebe uma cara do susposto assassino do Mercedes, revivendo o sentimento de vingança do inspetor, que precisa revisitar mais uma vez todos seus traumas para enfim conseguir resolver o mistério e pegar o assassino. 


Mr. Mercedes, ainda que não seja de um gênero que estamos habituados a ler do autor, possui a sua identidade e características habituais. Você de fato sente que está lendo uma obra de Stpehen King (e confesso que fiquei esperando o tempo todo a história seguir para um lado sobrenatural). A obra é dinâmica, intercalada por capítulos curtos de duas a três páginas. Essa escolha de organização facilita muito a leitura e permite que você leia o livro rapidamente. Outro fator que contribui muito é que a história é muito bem encadeada e imprevisível. Do nada as coisas mudam e você mergulha na história sem nem pensar duas vezes. Se não me engano, levei um pouco mais de 3 dias para ler e eu garanto: É impossível largar. 



"Às vezes, o diabo que você conhece é melhor do que o que você não conhece."



O que mais me chamou atenção na leitura é a construção dos personagens. Hodges faz bem o estereótipo de policial aposentado rabugento e ranzinza. O mesmo possui uma personalidade forte e que é muito bem explorada por King. Jerome, o adolescente que corta a grama do policial e também presta suporte com assuntos que envolvam a tecnologia entra para a história e se torna um dos ajudantes de Hodge na caçada contra o Mr. Mercedes. Por fim, Holly, a sobrinha da dona do carro que foi utilizada pelo assassino para o massacre finaliza o trio de investigadores e é impossível não se conectar a eles. Holly é maravilhosa, cômica, mandona e sofre de alguns distúrbios mentais. Já Jeromme é gracioso e malandro e os dois trazem um tom de comédia para a trama. Vale ressaltar que a comicidade não é exagerada; muito menos forçada. King cria, insere e utiliza desses elementos tão bem que você percebe que aquilo se torna parte da narrativa. Os três juntos possuem as melhores cenas da obra e impossível não amar Holly e sua irreverente personalidade. 


"Não era justo, mas o que é? A vida é um parque de diversões de bosta com prêmios de merda."


Geralmente em thrillers policiais, lemos sempre a caçada da polícia contra o assassino, o desdobramento das investigações, a coleta de provas que levam até a descoberta da identidade da mente maligna por trás dos eventos (geralmente é uma pessoa que faz parte do círculo de convívio dos protagonistas pra aumentar o choque no leitor). Mr. Mercedes traz exatamente essa brincadeira de cão e gato, no entanto, para o leitor, fica claro desde o início a identidade do assassino, uma vez que o livro possui capítulos narrados na perspectiva de Bill e outros na do Brady Hartsfield. Não é spoiler, eu juro. Essa informação tá na contra capa do livro .:)




Brady é detestável e grotesco, o típico vilão que amamos odiar. Ele possui tudo de ruim para se tornar um psicopata e por diversos momentos no livro somos apresentados a detalhes de sua vida, assim como os traumas vividos e eventos do passado que envolvem seu irmão Frankie, além da estranha relação com sua mãe que sofre com problemas de alcoolismo. O antagonismo do mesmo fica muito claro e achei mega interessante ver os eventos sob seu ponto de vista. O mais legal é vermos o desdobramento dos planos de ambos os lados e você sempre se pergunta quando será o ponto de colisão entre os dois. O ritmo com que os acontecimentos ocorrem é frenético e não dá pra largar de jeito nenhum. Eu lia até de madrugada e queria mais e mais. O desfecho do livro é muito eficiente e finaliza muito bem a primeira obra, dando espaço para as continuações. O meu único arrependimento é ainda não ter comprado os outros dois volumes para ler,  estou mega ansioso.



"Hodges leu que há poços tão fundos na Islândia que você pode jogar uma pedra lá dentro e nunca ouvir o barulho dela batendo na água. Ele acha que algumas almas humanas são assim."


Em suma, Mr. Mercedes traz o melhor do King em um conteúdo diferente. O autor criou uma história muito bem amarrada e se tornou um dos seus livros que mais gosto. Não há nenhuma ressalva com relação ao roteiro, histórias e personagens, espero muito que os outros dois volumes mantenham a mesma qualidade e me façam perder muitas noites de sono pra devorar a história. Ah, e espero também que Holly e Jerome retornem para as outras histórias. Definitivamente ainda há muito espaço para o desenvolvimentos de dois grandes personagens. 
 



Nota: 5,0/5,0


Espero que tenham gostado da resenha de hoje, pessoal! Não se esqueça de deixar o seu comentário e nos seguir em todas as redes sociais pra não perder nenhuma novidade do Startes. 



 
 

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