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Salém




"Mas tudo fica mais real à noite, não é?"


Olá, meus queridos!

Hoje é dia do terror aqui no Startes. Preparados?

Stephen King. Guardem esse nome. Irão ouvi-lo muitas e muitas vezes aqui no site.

Durante o ano de 2019, prometi a mim mesmo que iria fazer parte do Desafio King. Mas o que seria isso, tenho certeza que vocês estão se perguntando. (Por favor, mesmo que não estejam curiosos ou já saibam o que é, finjam que não para não estragar a didática do post). Para você que se interessou e não sabe o que é, o desafio consiste basicamente em ler ao menos 1 livro do mestre do terror por mês. Caso você não seja um amante do gênero ou não conheça o autor, King já publicou mais de 50 obras que incluem livros solo, histórias coescritas com outros autores, coletâneas de contos, entre outros.

King é meu autor favorito, no entanto, seu acervo em minha estante ainda é relativamente pequeno; por esse motivo resolvi mergulhar nesse desafio e devo dizer que até o presente momento, obtive 100% de êxito, chegando ao meio do ano com um total de 6 livros do Rei para a conta. (Ao atingir a meta, iremos dobrá-la. Risos)

Hoje vim falar com vocês do livro Salém, publicado em 1975. O livro é uma das maiores e mais conhecidas obras do King e vou contar um pouquinho pra vocês da experiência que foi.


Nome Original: Salem's Lot
Autor: Stephen King
Ano de Publicação: 1975
Editora: Suma de Letras
Número de Páginas: 464
Sinopse:  Publicado originalmente em 1975, Salem é inspirado em o Drácula de Bram Stoker. Segundo livro da carreira de King, é ambientado na cidadezinha de Jerusalem's Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade. Após a chegada desses forasteiros, fatos inexplicáveis vêm perturbar a rotina provinciana de Jerusalem's Lot: uma criança é encontrada morta; habitantes começam a desaparecer sem deixar vestígios ou sucumbem a uma estranha doença. A morte passa a envolver a pequena cidade com seu toque maléfico e Ben e Mark são obrigados a escolher o único caminho que resta aos sobreviventes da praga: fugir. Mas isso não será tão simples, os destinos de Ben, Mark, Barlow e Jerusalem's Lot estão agora para sempre interligados. E é chegada a hora do inevitável acerto de contas.


Também conhecido como "A Hora do Vampiro", em Salém somos apresentados a misteriosa cidade de Salem's Lot, localizada no sul Maine, palco em que quase todas as histórias do King são narradas. Ben Meyers é um escritor que viveu boa parte da sua vida na cidade e que retorna anos depois com o objetivo de contar a história de Salém e também para acertar contas com seu passado, 25 anos após um evento traumático. O autor volta a cidade para escrever a história da mansão Marsten, onde viveu a tal terrível experiência. Seu retorno a Salém's Lot coincide com a compra dessa mesma casa por dois estrangeiros que decidem montar uma loja de antiguidades para atrair um número maior de turistas par a localidade. Kurt Barlow, um dos sócios nunca é visto em público, somente Richard Strake, que toma conta da loja. Apesar da fachada educada e da loja ser um sucesso, rapidamente os boatos acerca da identidade de Kurt começam a correr, levantando a suspeita dos moradores locais. A coisa piora ainda mais quando ocorre o desaparecimento de uma criança chamada Ralphie Click, seguido da morte de seu irmão mais velho, Danny. O caos então se instaura em Salém's Lot: O número de mortes na cidade aumenta drasticamente e o pior de tudo: Médicos e legistas não descobrem a causa da morte dos habitantes, classificando-as apenas como um mal súbito. Corpos começam a desaparecer do cemitério e necrotérios da cidade. Ben então precisa enfrentar seus traumas de infância e combater a terrível praga que contamina Salém e seus moradores, além de precisar descobrir a verdadeira identidade de Barlow e lidar com a verdadeira presença do mal junto com um velho professor meio maluco, um menino obcecado por histórias de vampiros e o padre da cidade.

...Não o subestimem! E agora, se não se importam, estou muito cansado. Passei quase a noite toda lendo. Liguem para mim assim que terminarem. Eles saíram do quarto. No corredor, Ben olhou para Jimmy e perguntou: "Ele não o fez lembrar de alguém?" "Fez", disse Jimmy. "Van Helsing".

Não foi nem um pouco fácil terminar esse livro. Não digo que ele é ruim, muito pelo contrário, é uma excelente história, no entanto, foi o primeiro livro do King em que não me senti conectado com os personagens da trama. Com exceção de Ben e do icônico Padre Callahan, todos os demais personagens da histórias são apáticos e apagados; não possuem destaque e nem características marcantes; Por diversos momentos eu tive problema ao associar seus nomes com os personagens em si e isso atrasou um pouco a leitura.

Como o próprio nome original sugere, Salém é uma obra que conta uma história sobre Vampiros. Na época, em entrevistas cedidas por King para a divulgação da obra, o mesmo contou que utilizou muito Drácula de Bran Stocker (uma de suas histórias favoritas e-v-e-r) como referência para a criação de sua história. Mesmo que não fosse utilizado, é impossível não pensar em vampiros sem lembrar de Drácula. King, em minha opinião, soube pegar o que há de melhor referente a mitologia de vampiros e trouxe para sua narrativa. O resulto são criaturas malignas e altamente manipuladoras, sedentas por sangue e destruição. O rastro de mortes deixadas pelas criaturas é gigantesco e senti uma vibe à lá George R. R Martin: Todo mundo morre.





Caso vocês não saibam, existem diversas teorias que dizem que todas as histórias escritas por Stephen King estão, de algum modo, interligadas. Essa teoria é chamada de Kingverso que consiste em dizer que todas as histórias são ambientadas no mesmo universo e espaço temporal, tendo a Torre Negra (Uma série de livros de ficção fantástica escrita por King) como centro de tudo. Estou contando isso para vocês porque o autor tem o costume de trazer alguns personagens de volta em suas histórias. No caso de Salém, somos apresentados ao Padre Callahan, religioso que se junta com Ben e os demais moradores da cidade para livrar todos da influência das criaturas. Muitos anos se passaram, outros livros foram publicados e todos sempre se perguntavam quando King iria escrever a continuação para Salém. A resposta do autor veio anos depois em que dizia que já existia a continuação para a narrativa através dos livros 4 e 5, cujos nomes são Mago e Vidro e Lobos de Calla, respectivamente. Ambos livros fazem parte de qual série? Exatamente, Torre Negra. O padre é um dos personagens presentes na história e em alguns momentos, o mesmo revela alguns detalhes sobre o que aconteceu com a cidade anos depois dos acontecimentos narrados em Salém. Fantástico, não?

Curiosidades à parte, é um livro extremamente bem escrito e desenvolvido. Chega a ser surpreendente que Salém seja apenas o segundo livro oficial publicado pelo autor, mas o mesmo já escrevia com maestria e dá uma verdadeira aula sobre descrições, montagem de enredo e afins. O único ponto que realmente achei falho foi na construção dos personagens, no entanto, também estava passando por uma ressaca literária e estava realmente difícil de me concentrar para ler devido a inúmeros compromissos pessoais, dentre eles, a proximidade da apresentação do tão temido TCC.

Apesar da obra não possuir reviravoltas e surpresas, a história vai se desenvolvendo de maneira gradual e King sabe muito bem explorar o crescimento de cada um dos personagens na luta contra o terrível mestre dos vampiros. Cada um possui suas motivações e objetivos pessoais, da mesma forma que são afetados de maneiras distintas pela influência maligna das criaturas. A mansão Marsten se torna palco do festival macabro enquanto a legião de vampiros toma conta de Salem's Lot, dizimando e transformando seus moradores. Os capítulos finais do livro e as sequências que trazem o confronto entre Ben e Barlow são escritas com maestria e de tirar o fôlego. Mais uma vez, King brinca com os sentimentos do leitor trazendo uma escrita inconfundível. ho

Como citei em um outro ponto da resenha, a grande falha de Salém, em minha opinião, é a construção dos personagens. São todos iguais e nada carismáticos e é muito difícil associar os nomes aos personagens. King traz uma enxurrada de moradores para a história, e fica difícil lembrar quem é quem, suas profissões, com quem se relacionam, onde se encaixam na história, etc. Um ponto muito positivo, no entanto, é que o autor se preocupou em dar um final a cada um deles, não apenas tendo os utilizado como pontos de apoio para a criação da história. Obviamente, como devem esperar, não foram finais felizes, mas condizentes com a história criada. O vampirão Barlow é outro destaque da obra: Com uma vibe à lá Drácula, o monstro é altamente estrategista e calculista e o mesmo brinca o tempo todo com Ben, levando-o exatamente para onde ele quer.


A cidade conhecia a escuridão. Conhecia a escuridão que cobria a terra quando o sol se escondia e também a escuridão da alma humana.

King é muito conhecido por criar ótimas histórias, personagens carismáticos, narrativas complexas e impecáveis, porém, escreve péssimos finais. Eu mesmo já passei por essa terrível experiência e é muito frustrante. Felizmente, Salém não se encaixa nessa categoria (Alô, Pennywise), e o final é altamente satisfatório e apropriado com a história criada, eu diria que é um dos melhores desfechos que li do autor. Apesar do livro não contar com nenhuma surpresa ou reviravoltas de explodir a cabeça, é uma ótima história do mestre do terror. Mesmo com os problemas que citei e que me incomodaram um pouquinho, vale muito a pena dar uma chance e conferir essa história. Claro, não se esqueça do alho e da estaca.

Nota: 4,0 / 5,0



Você sabia?
  • Adaptação chegando: Apesar de inúmeras outras adaptações desde seu lançamento lá no longíquo ano de 1975, os direitos de Salém foram adquiridos pela New Line Cinema. James Wan (invocação do mal) se juntará com Gary Dauberman, que foi o responsável pela criação do roteiro de IT e IT Chapter Two. 
  • Mutiverso: Salém é uma das obras mais conhecidas de King por trazer Padre Callahan, um dos personagens principais da série Torre Negra. Teorias rondam a internet e deixam os fãs do autor enlouquecidos em busca de referências escondidas em suas obras. Apesar de fazerem muito sentido, nada ainda foi confirmado pelo autor. 
  • Inspirações vampirescas: Drácula é um dos livros favoritos do King, e foi a maior inspiração do autor para a criação da história de Salém, inclusive, em alguns trechos do livro, é possível notar algumas menções à passagens e personagens da obra de Bran Stocker. Ainda segundo o autor, o livro está entre os seus favoritos dentre todos os escritos. 
  • Muitos nomes: O livro chegou a ser lançado aqui no Brasil como A Hora do Vampiro e, posteriormente, modificado para Salém. No entanto, essa não foi a única modificação no título. Originalmente, a história se chamaria Jerusalem's Lot, porém, a editora achou que o título seria altamente religioso e talvez não fosse aceito pelo púlico. Junto com King, o livro foi rebatizado para Salem's Lot, título mantido até os dias de hoje. 




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