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Filme Noturno | Resenha


"Adoro colocar meus personagens no escuro. Só assim consigo ver exatamente quem são."


E aí, Starters! Tudo bem com vocês?


Estou trazendo hoje aqui pra vocês a resenha do livro Filme Noturno da autora Marisha Pessl e trazido pelo brasil pela editora Intrínseca. Talvez de toda a minha lista de livros para o ano, esse tenha sido o que mais fiquei ansioso e curioso pra ler. Infelizmente não consegui encontrar nenhuma versão física da obra para comprar e li sua versão digital pelo Kindle e hoje vim contar um pouquinho pra vocês dessa história que me deixou completamente louco para terminar.

Título Original: Night Film
Autor(a): Marisha Pessl
Editora: Intrínseca
Gênero: Thriller, Suspense
Número de Páginas: 624
Sinopse: Em uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia suspeite de suicídio, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo mais por trás dessa história. Seu interesse pelo caso não é gratuito: Ashley é filha do famoso e recluso diretor de filmes de terror Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de trinta anos e que, no passado, teve um papel trágico na vida de McGrath. Impulsionado por vingança, curiosidade e necessidade de descobrir a verdade, o jornalista é atraído para o horripilante e hipnótico mundo de Stanislas. Da última vez que chegou perto do cineasta, McGrath perdeu o casamento e a carreira. Dessa vez, pode acabar perdendo muito mais.

Vocês não tem noção do quanto eu ouvi falar desse livro. Eram indicações de outros amigos leitores, vi vários vídeos de booktubers e textos de páginas litérarias: Todos os lugares o indicam como um dos melhores (se não o melhor) livro do gênero. Era oficial: Eu precisava ler de qualquer maneira. Como comentei no início do texto, não consegui comprar a versão física e eu já estava no meu limite: Precisava lê-lo de qualquer maneira. Optei por fazer a leitura em sua versão digital, mas assim que encontrar, terei o exemplar em minha estante. Em Filme Noturno, iremos conhecer a história do jornalista Scott McGrath que resolve investigar a morte de Ahsley Cordova. Mesmo que todas as evidências indicassem que a jovem houvesse cometido suicídio, o jornalista acredita que ainda existam pontos na história que não foram totalmente esclarecidos a respeito da morte da jovem. Scott não resolve se meter no caso apenas procurando por um furo jornalístico; alguns anos atrás o mesmo se envolveu em um escândalo envolvendo o cineasta que afundou sua carreira. O ocorrido com Ashley desperta o desejo de vingança de Scott e o mesmo acredita que a jovem não cometeu suicídio e o cineasta está envolvido na morte da filha. 



Logo de cara, eu notei a semelhança de Scott com um outro jornalista que possui uma história semelhante de perda e vingança: Mikael Blomkvist, o protagonista da (MARAVILHOSA) série Millennium. Os dois possuem motivações idênticas, além de terem sido prejudicados profissionalmente por algum escândalo judicial envolvendo uma pessoa poderosa. Felizmente, as comparações com a obra sueca terminam aí e Marisha escreve uma história totalmente nova e supreendente. Aproveitando que estamos falando dos personagens, gostaria de comentar que o trio formado por Scott, Nora e Hopper é espetacular. A jovem é uma aspirante a atriz que trabalha à noite como recepcionista no restaurante em que Ashley foi vista na noite de seu desaparecimento; Hopper é um traficante problemático que possui um passado com Ashley. Juntos os três mergulham nos mistérios envolvendo a família Cordova. Falando do Stanislas em si, o mesmo foi construído de forma quase que mitológica. O diretor é recluso e nunca foi visto em público, além de possuir pouquíssimas fotos e muitos desconfiam de que de fato o rosto nem pertencem à ele. O diretor é responsável por filmes de terror classe B e são tão pesados que se tornaram proibidos por retratarem cenas quase reais contendo as mais diversas mortes e torturas. Suas obras foram banidas e somente os fãs mais árduos de Cordova - chamados de Cordovitas - os possuem. Seus filmes são exibidos em locais escondidos e em rituais quase sagrados pelos Cordovitas que esperam pelo retorno do diretor às telonas. De longe, é a parte mais interessante do livro. Marisha escreve tão bem que mesmo que Cordova não apareça na narrativa, você sente sua força, poder, quase uma criatura onipresente. O diretor comprou uma mansão em um dos locais mais remotos e lá montou os sets de gravação dos seus longas. Todos esses elementos são muito bem explorados durante a narrativa enquanto o trio precisa se aprofundar em toda a obra do diretor, convicto que existem provas da verdade sobre o que aconteceu com Ashley.


Entregar sua vida, seu corpo e sua mente a um homem? Ele está parecendo Charles Manson.

O livro é um primor em sua edição. A versão, ainda que não seja ilustrada, conta com inúmeros recortes de jornais, entrevistas, sites, cenas de filmes e muitas outras informações que ajudam a complementar a história. Eu não me lembro de ter lido alguma obra que fizesse a utilização de tal recurso, mas acho que serviu para contribuir ainda mais com a imersão na história criada. Eu juro, em certos momentos achei que estava lendo uma história real justamente pelo uso desses elementos que passam muita verdade e credibilidade. Outra coisa muito positiva é que Marisha consegue desenvolver cada ponto da história de maneira encadeada: O livro, apesar de possuir mais de 600 passa muito rápido, pois a autora não perde tempo com informações desnecessárias. Tudo que está no livro vai servir para algo no futuro, então é preciso estar ligado a qualquer informação e você acaba ficando até meio paranóico tentando decifrar a história.

Apenas para ilustrar o que comentei acima sobre os recortes de jornais, entre outros, achei essa foto na internet do blog Dentro das Páginas que mostra uma das matérias publicadas em uma revista a respeito da família de Cordova e seus estranhos hábitos de isolamento. Você não se sente lendo uma história real?



Filme Noturno traz muitos debates e discute os conceitos sobre "verdades absolutas" e também sobre o conflito entre fé e razão. Nesse ponto, o livro aborda algumas questões envolvendo um lado meio sobrenatural, algo que foi totalmente inesperado para mim, mas que eu gostei. Quanto mais o trio afunda na história, mais eles descobrem a respeito de seitas sagradas, bruxaria, magia negra e outras questões envolvendo a misteriosa mansão dos Córdova. Eu fiquei completamente alucinando e devorando as páginas querendo saber mais e cada vez mais confuso e curioso. Simplesmente fantástico.Como citei mais no início, o livro é altamente visual; alinhado com o uso das imagens, a escrita da autora é altamente detalhada e você praticamente vê a cena se materializando em sua frente. Em um dado ponto da narrativa, Scott visita os sets construídos na propriedade do cineasta e essa cena do livro é um primor de tão bem escrita. Eu achei simplesmente incrível visitar os cenários dos filmes e é realmente impressionante a riqueza de detalhes com que a autora escreve. A sensação que tive é que realmente os filmes existiam e estava me tornando um Cordovita.

"Então seus filmes noturnos eram documentários, horrores vivos, não ficção. Ele era ainda mais depravado do que imaginara. Um louco. O próprio diabo."

O livro é altamente complexo e elaborado; existem diversas tramas e histórias secundárias que vão se entrelaçando que culminam com a resolução final da trama. É aqui que deixo a minha única crítica com relação a Filme Noturno: O final, ainda que seja bom e totalmente coerente com a obra, é demasiado simples e de pouco impacto, quando você compara a obra como um todo. Talvez minhas expectativas estavam muito altas por conta de toda a propaganda que fizeram do livro e eu o li esperando algo ao estilo Por Trás de Seus Olhos e Ninfeias Negras, dois dos meus livros favoritos do gênero e que realmente contam com plot twists de fazer você cair da onde você está sentado e ficar pensando naquilo por dias e dias.


Em uma experiência geral, fiquei muito feliz em finalmente fazer a leitura dessa obra. É uma experiência sensorial e visual que leva o leitor por caminhos obscuros e assustadores, mas que cumpre o que promete. Certamente a autora entrou para o meu hall das favoritas e irei pesquisar outros livros pra ler. No mais, ainda que o final seja simples e pouco surpreendente, ele encerra de maneira coesa uma grande obra do gênero.

Nota: 4,0 / 5,0

Então essa foi a resenha de hoje, me desculpem por ter me empolgado e ela ter ficado um pouco longa, eu realmente precisava abordar todos esses pontos e, certamente, o livro merecia uma resenha à altura.

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Nos vemos por aí! 








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