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Confissões | Resenha

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Foto: Fundo Falso



Olá, pessoas!

Tudo bem?

É um preconceito bobo que temos e por mais que o ditado "não se deve julgar o livro pela capa" exista, é automático você fazer aquela cara e julgar quando o livro não possui uma capa... esteticamente favorecida. Eu estou dizendo isso pois a primeira capa de Confissões, da autora japonesa Kanae Minato é muito, muito estranha. Por mais que esteja inserida na temática do livro, não estimula a leitura. De todas as formas, devido a ótimas avaliações em sites como Skobb e GoodReads e devido a indicações de amigos, enfrentei a capa feia e mergulhei em uma das histórias mais densas e perturbadoras que li nos últimos tempos. 

Autor(a): Kanae Minato
Editora: Vestígio
Gênero: Thriller, suspense
Número de Páginas: 176
Sinopse: O mundo da professora Yuko Moriguchi girava em torno da pequena Manami, uma garotinha de 4 anos apaixonada por coelhinhos. Agora, após um terrível acontecimento que tirou a vida de sua filha, Moriguchi decide pedir demissão. Antes, porém, ela tem uma última lição para seus pupilos. A professora revela que sua filha não foi vítima de um acidente, como se pensava: dois alunos são os culpados. Sua aula derradeira irá desencadear uma trama diabólica de vingança. Narrado em vozes alternadas e com reviravoltas inesperadas, Confissões explora os limites da punição, misturando suspense, drama, desespero e violência de forma honesta e brutal, culminando num confronto angustiante entre professora e aluno que irá colocar os ocupantes de uma escola inteira em perigo. 


A história de Confissões se passa no Japão, mais precisamente em uma escola de ensino médio. Iniciamos a narrativa com a professora Yuko informando aos alunos que aquele era seu último dia aula na instituição, pois havia pedido demissão. Ela então resolve bater um papo com os alunos e a contar um pouquinho da sua história, desde das dificuldades em ser mãe solteira e da experiência para cuidar de uma criança e ser mãe de primeira viagem. Ela conta que por não ter com quem deixar sua filha Manami, uma doce garotinha apaixonada que na época tinha 4 anos, Moriguchi a levava para a escola para brincar com os alunos mais velhos enquanto ela estava ocupada dando aulas. Entre outras informações, Yuko começa a contar sobre o terrível acidente que tirou a vida de sua filha nas dependências da escola, o que a levou a tomar a decisão de sair da instituição. Durante o período em que a mesma esteve de licença por conta do ocorrido, ela começou a investigar as estranhas circustâncias que rodeiam a morte da filha que, segundo a polícia, se afogou por acidente na piscina. A terrível verdade descoberta pela professora é de que sua filha não havia sofrido um acidente e sim havia sido assassinada, ao contrário do que todos pensavam. A revelação choca os alunos, no entanto, o pior ainda estava por vir: Morigushi revelva que as pessoas responsáveis pela morte da filha estavam ali, em plena sala de aula. Os alunos ficam muito confusos diante de tudo que a professora está contando e ficam ansiosos, esperando apra saber quais serão as próximas ações de Yuko. Ela continua seu monólogo e informa para a sala que não iria até a polícia para reabrir o caso, já que isso não traria sua filha de volta e, tampouco, seria um preço justo a pagar pelos assassinos. Eis que chega o momento da professora revelar o seu terrível plano de vingança.

Dizem que quando as lágrimas acabam a gente para de chorar, mas parece que isso nunca aconteceu conosco. 

Obviamente, por motivos de spoiler, eu não posso revelar o que ela decide fazer contra os alunos que assassinaram sua filha, mas gente, eu juro que eu li umas 3 vezes pra ter certeza de que era isso mesmo que eu estava lendo. Tenho certeza que eu tive a mesma reação que os outros alunos da sala de aula ao ouvir da professora. E querem algo ainda mais surpreendente? Isso acontecem nas primeiras 30 páginas da leitura. Confissões não perde tempo e apresenta logo de cara não só o contexto em que a história se passa, mas também um plot twist sem nem ao menos você ter gravado o nome dos personagens! É de tirar o fôlego.

Como já se é esperado, o livro vai discutir muito os conceitos de luta, vingança e a linha moral entre fazer o que é certo e encontrar alento na vingança. Se você soubesse da identidade dos assassinos da sua filha que escaparam, você se vingaria? O que você faria? Eu acho que o livro trabalha tão bem essas questões e apresenta um desenvolvimento tão grande dos personagens que você simplesmente esquece das horas. Confissões é tão bem escrito que se torna uma experiência muito imersiva e bem diferente de tudo do que você já leu. Num cenário saturado criado por livros genéricos do gênero, a obra japonesa se destaca por criar uma história muito diferente e densa,  algo que está em falta nos grandes best sellers americanos.

Mas faz algo bom ou notável não é fácil. É muito mais fácil condenarmos algúem por ter feito algo errado do que nós mesmos por fazer a coisa certa.

A história é narrada a partir de diferentes pontos de vista, através de diários e cartas, que ajudam a recontar a mesma história sob diferentes óticas e pontos de vista. Dessa forma, não só nos colocamos no lugar da professora e sentimos o luto e a sede de vingança, mas também conhecemos a versão dos dois alunos responsáveis pela morte de Manami. Não que assassinato seja algo justificável, mas a autora busca desenvolver o lado psicológico dos alunos, narrando os traumas que culminaram nos terríveis eventos. O drama vivido por eles é algo muito real e palpável, além do livro abrir espaço para outras discussões e, principalmente, discutir a responsabilidade da escola em situações como essa.

O livro se desenvolve de maneira muito coesa e é uma leitura muito fluída e rápida.O mesmo possui um pouco mais de 170 páginas e eu facilmente consegui ler em uma tarde. Obviamente, a história é tão imersiva que se fosse contada em 500 páginas, teria lido tão rápido quanto. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, quando o autor realmente conhece sua história e desenvolve bem os seus personagens, é possível sim criar uma história densa e repleta de camadas e significados em poucas páginas. Confissões está aí pra provar e não deixar ninguém mentir: A obra é realmente eletrizante.

Acho que as pessoas em geral se esqueceram de uma verdade fundamental: Não temos o direito de julgar ninguém. 

Logo no início eu comentei que o livro já com reviravoltas e plot twist, mas nada me preparou para o final da história que, consegue, literalmente, na última página, trazer outro plot twist E EU FIQUEI ALUCINADO. A autora termina o livro nas alturas e eu devo dizer que ela soube redefinir o conceito de vingança. Após terminar a leitura, fiquei sentado embasbacado digerindo essa história cruel e pensando o quão bobo eu seria se tivesse deixado de ler essa história só pela capa.

Nota: 5,0/5,0



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