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RE-Startes: O Labirinto do Fauno


Era uma vez uma princesa perdida havia muito tempo, uma floresta repleta de encantos e mistérios e um fauno disposto a ajudá-la a voltar para casa.



Olá, Starters!


Tudo bem com vocês? Espero que sim.



Dando continuidade ao nosso quadro Re-Startes que se propõe a falar sobre alguma série, filme, jogo ou livro que marcou algum período da nossa vida, hoje vim falar sobre O Labirinto do Fauno, livro trazido pela editora Intrínseca e que se propõe a contar a clássica história do belíssimo filme produzido por Guilhermo Del Toro em uma de suas produções mais famosas e sombrias.



Vamos lá?

 
Título Original: Pan's Labyrinth: The Labyrinth of the Faun
Autores: Guillermo del Toro e Cornelia Funk
Editora: Intrínseca
Gênero: Drama, Fantasia
Número de Páginas: 317
Sinopse: Quando estreou nos cinemas, O Labirinto do Fauno encantou público e crítica com sua história que mesclava sonho e realidade, trazendo para o universo da fantasia o cruel cotidiano da Espanha fascista de Franco. Mais de dez anos depois, a produção permanece conquistando fãs e mostrando que boas histórias são atemporais. Nesta edição mais do que especial, o escritor, diretor e roteirista mexicano Guillermo del Toro — a mente por trás do filme e um dos artistas mais inventivos dos últimos tempos — se une a Cornelia Funke, premiada escritora de contos de fadas modernos e autora da trilogia Mundo de Tinta, para narrar a jornada de uma menina pelo Reino dos Homens e pelo Reino Subterrâneo. No ano de 1944, Ofélia e a mãe cruzam uma estrada de terra que corta uma floresta longínqua ao norte da Espanha, um lugar que guarda histórias já esquecidas pelos homens. O novo lar é um moinho de vento tomado pela escuridão e pela crueldade do capitão Vidal e seus soldados, dispostos a tudo para exterminar os rebeldes que se escondem na mata. Mas o que eles não sabem é que a floresta que tanto odeiam também abriga criaturas mágicas e poderosas, habitantes de um reino subterrâneo repleto de encantos e horrores, súditos em busca de sua princesa há muito perdida. Uma princesa que, segundo os sussurros das árvores, finalmente retornou ao lar. No livro, a narrativa de Ofélia é intercalada com ilustrações e contos de fadas inéditos, baseados em elementos-chave de O Labirinto do Fauno. A obra é uma impactante ode ao poder das histórias, seja em imagens ou palavras, e a sua capacidade de transformar a realidade a nossa volta.




O pesadelo de todo leitor é saber que seu livro favorito vai receber uma adaptação para o cinema. Certas cortadas, atores que não combinam com os personagens e descrições do livro, narrativa modificada… são tantas variáveis nessa equação que podem dar erradas que nos desesperamos com a ideia de um livro ser adaptado. Mas e se for ao contrário? Um filme transformado em livro? É possível? Sim, é. Ano passado, também trazido pela intrínseca para solo tupiniquim, o livro baseado em A Forma da Água (outro filme de Del Toro) chegou as livrarias pelas mãos do escritor Daniel Kraus e deu muito certo. Agora chegou a ver de Cornélia Funke assumir as rédeas e adaptar o mágico universo de O Labirinto do Fauno para as páginas de um livro. O processo não é fácil, não se enganem. A autora, ao contrário do que muitos pensam, não tomou como base o roteiro do filme (caminho mais fácil) e sim optou por assistir o filme diversas vezes, parar cena por cena na tentativa de captar com exatidão toda a emoção que Guillermo criou em sua obra lançada em ano.








Ofélia é uma doce menina que busca refúgio em meio aos seus livros e contos de fadas para fugir dos horrores da guerra civil espanhola. Seu pai, um simples alfaiate foi morto durante o conflito e sua mãe, prezando a segurança da filha, se casa novamente com o rígido coronel Vidal. Ela se encontra grávida e junto com Ofélia se mudam para a residência do coronel. O lugar é antigo e repleto de lendas e lugares emblemáticos, como o antigo moinho em que, contam as lendas, uma bruxa foi afogada e um labirinto mágico. Em uma noite, Ofélia se aventura por seus corredores de pedra e encontra o Fauno, uma criatura ancestral e primitiva, dotada de sabedoria e conhecimentos antigos. O Fauno conta que estava esperando pelo retorno de Ofélia, que na verdade era filha de um rei de outro mundo que procurava por sua filha perdida por centenas de anos. O Fauno então, a fim de verificar se a alma de Ofélia não havia sido corrompida ao longo dos anos, entrega um livro para a jovem que contém três tarefas que ela precisa concluir até a próxima lua cheia para provar que de fato é a filha do rei e da rainha do Reino Subterrâneo, uma terra mágica sem medo, dor ou sofrimento.


As letras eram como pegadas na neve, uma paisagem vasta e clara intocada pela dor, imune às memórias, sombrias demais para serem guardadas, agradáveis demais para serem esquecidas.



Gente, O Labirinto do Fauno é um dos meus filmes favoritos da vida. Em minha opinião, é o melhor filme do diretor que entrega uma história mágica, sombria e verdadeira. Tudo no filme é artístico, desde sua trilha sonora até sua fotografia e cenografia. Confesso que estava preocupado com sua adaptação literária, uma vez que não se tem os mesmos recursos visuais da sétima arte, no entanto, Cornélia fez direitinho a sua lição de casa e traz um texto tão rico quanto o filme repleto de detalhes, descrições fiéis de cenas, cenários e personagens, revivendo essa vibe mágica que é tão importante para que a história de O Labirinto do Fauno funcione. Sua escrita é magnética e poética, a autora escreve com uma precisão absurda, o que demontra todo o cuidado e respeito que possui com a narrativa. O resultado é uma história delicada que beira a perfeição quando se comparam com o filme. Por diversos momentos, as cenas se materializam em minha frente e eram exatamente iguais como eu me lembro no filme. Pouca gente conseguiria essa proeza.



O Labirinto do Fauno é uma história melancólica, sombria e política em que se consegue interpretar diversas passagens do livro com mm o metáforas para o período conturbado em que a Europa viveu durante a Segunda Guerra. Em meio a esse contexto, Guillermo (e agora Cornélia) criam um vasto universo mitológico e vivo, repleto de fadas, monstros, árvores mágicas outros seres místicos para contar a história da princesa Moanna. Ao longo das 300 páginas em que a história é narrada - eu sei, o livro é curto, poderiam ser 900 páginas, eu não iria ligar - Cornélia inteligentemente insere entre os capítulos 10 fábulas que servem como interlúdio e que ajudam ainda mais a situar o leitor no mundo mágico em que o livro está inserido. Mais uma vez, nao existem elogios capazes de fazerem justiça a escrita da autora. A utilização dessas fábulas, em minha opinião, se saem ainda melhores no livro que no filme, pois trazem ainda mais precisão para a história. Simplesmente incrível.


Os piores medos estão sempre abaixo de nós, escondidos, abalando as estruturas que queríamos que fossem firmes e seguras.

Os incríveis personagens estão de volta e os mesmos apresentam o mesmo grau de complexidade apresentados no longa. Quem nunca sentiu medo do terrível devorador de criancinhas chamado de homem pálido ou asco do sapo que habita a figueira mágica da propriedade? Sei que fica chato falar sempre a mesma coisa, mas mais uma vez, Cornélia demonstra que é uma Autora com a maiúsculo e foi totalmente capaz de reviver tais personagens emblemáticos com o mesmo peso, focando em descrições precisas. Tudo em O Labirinto do Fauno é arte. Sua história, seus personagens e o filme. Obviamente, sua versão literária não poderia ser menos que isso e a Intrínseca nos entrega uma verdadeira obra prima. O livro é simplesmente lindo e impecável. A capa, a diagramação dos capítulos, o tom verde das páginas e junto com as belíssimas ilustrações de Allen Williams, facilmente elejo como um dos livros mais lindos (se não o mais!) Da minha estante. Digo com propriedade que você facilmente irá se perder entre as páginas dessa mágica história.



Termino essa resenha extremamente feliz por um dos meus filmes favoritos também ter se tornado um dos meus livros favoritos. É uma obra atemporal e que já se tornou um dos grandes clássicos do cinema; não tenho dúvidas de que o mesmo irá acontecer com o livro. Uma história densa, magistral e pesada, mas ao mesmo tempo extremamente delicada, humana e empática. Uma jornada de crescimento e amor capaz de derreter até os mais durões. Caso você já tenha assistido ao filme, dêem também essa chance ao livro e, caso não conheçam a história, apenas procurem. Não irão se arrepender.

Nota: 5,0/5,0 


Todos nós inventamos o nosso conto de fadas.


Esse foi o post de hoje, espero muito que tenham gostado, foi um texto extremamente pessoal. Não se esqueçam de deixar seu comentário e também compartilhar com aquele seu amigo que ama essa história especial. Nos vemos próxima quarta. See you!


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