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Leve-me Com Você | Resenha



Ei, tudo bem?

Passamos o horripilante mês de outubro e eu espero que vocês tenham gostado (e sobrevivido) de  todas as nossas postagens especiais sobre produções de terror, aquele gênero que todo mundo tem medo, mas no fundo, ama. Estamos de volta com nossa programação normal e hoje vim falar pra vocês sobre a emocionante obra da autora norte-americana Catherine Ryan Hyde, Leve-me com Você, lançada aqui no Brasil sob o selo da caveira mais querida, nossa editora Darkside. 

Vamos lá?


Título Original: Take Me With You
Autor(a): Catherine Ryan Hyde
Editora: Darkside Books
Gênero: Ficção, drama.
Número de Páginas: 336 páginas
Sinopse: August Shroeder é um professor de ciências desacreditado e um alcoólatra em recuperação. Todos os anos, seu destino nas férias de verão é o mesmo: a estrada. Em seu trailer, ele percorre quilômetros e mais quilômetros nas rodovias para visitar os belíssimos parques e reservas naturais. Seu plano era visitar o Parque Nacional Yellowstone com seu filho, Phillip, mas agora não há ninguém no banco do passageiro ― apenas um punhado de cinzas guardado no porta-luvas, em uma garrafa de chá carregada de significado.Quando o trailer quebra, August busca conserto na oficina mais próxima. Mas, além do motor home pronto para seguir viagem, ele sai de lá com dois garotos a tiracolo ― seus novos companheiros nessa road trip ― e a chance de repaginar uma viagem que tinha tudo para ser melancólica e permeada por lembranças doloridas.


August carrega em si um forte sentimento de culpa: Após a perda do filho em um acidente de carro em que sua esposa estava envolvida, o professor de ciências se torna alcóolatra  e não possui nenhuma perspectiva de vida. Seus planos de verão de visitar o parque de Yellowstone com seu filho Phillip não podem mais acontecer, afinal, seu filho havia morrido. Durante as férias de verão, August resolve partir em seu trailer junto com seu cachorro Woody com o destino ao parque em questão com um objetivo muito especial: Deixar as cinzas de seu filho no local, cuja alma aventureira descansará para sempre entre a natureza. O plano de August é ambicioso e ousado: Ele precisa cruzar vários estados e percorrer muitos quilômetros para chegar até seu destino final, no entanto, ocorre um imprevisto e seu trailer quebra no meio do nada. August, frustrado, encontra a velha oficina de Wes, um mecânico honesto que cobra um preço justo para repor as peças quebradas e fazer o trailer voltar para a estrada. Wes possui dois filhos, o mais velho Seth e Henry, um jovem garotinho extremamente tímido que se comunica apenas com seu irmão. Os meninos rapidamente desenvolvem uma forte amizade com August e Woody que precisam esperar pelo trailer ficar pronto para seguirem viagem, porém, as finanças do professor estavam escassas e, ainda que Wes cobrasse uma quantia justa pelo reparo do veículo, o valor estoura seu orçamento e, portanto, não seria possível seguir até Yellowstone. O mecânico então propõe um esquema um tanto excêntrico para o professor: O reparo das peças sairia de graça e ele poderia seguir viagem, no entanto, August deveria aceitar e levar seus dois filhos na viagem, pois o mecâncio, devido a alguns problemas, passaria o período do verão na prisão e não haveria com quem deixar seus filhos. Ainda que relutante, August aceita e juntos embarcam nessa viagem que mudaria o rumo da vida de todos eles.

Isso é uma intervenção. É o momento em que todo mundo está de um lado e você está do outro. É assim que você percebe que é hora de mudar. Porque não tem mais apoio. 

Essa temática de perdão e luto não é algo totalmente inédito no universo da literatura, já tendo sido explorada em algumas obras bem famosas, como best seller A Cabana do autor americano William P. Young. Ainda que a obra de Willian seja focada em um viés religioso e busca trazer uma mensagem sobre encontrar o perdão na fé, a história de Catherine é voltada em realizar explicações de maneira "racional e cética". Ambos os livros exploram esse mesmo sentimento de dor e perda, o que é algo muito interessante, pois temos abordagens diferentes e reflexões distintas a partir de um mesmo assunto em comum. 

August, Woody, Seth e Henry embarcam então na aventura enquanto vão conhecendo parques naturais e outras belezas do país americano. O livro apresenta uma visão muito particular das crianças com relação a tudo que está acontecendo com August e mesmo que de forma disfarçada, o trio participa de debates existenciais muito interessantes sobre vida, morte, luto e recomeço. O livro apresenta verdadeiras lições e questionamentos que levam os leitores a refletirem sobre toda essa temática que muitas vezes optamos ignorar, porém, eu considero Leve-me Com Você como um livro irregular, com bons momentos de leitura e outros extremamente monótonos e arrastados. Eu gostei da maneira com que Catherine traça a história, no entanto, achei bem repetitiva a sua execução e o livro segue exatamente por toda essa fórmula durante boa parte dele. Em um enredo que em uma primeira verificada parece extremamente simples, Catherine consegue desenvolver seus personagens de maneira muito interessante. Você cria um forte vínculo com os personagens e em determinados momentos, você começa a se colocar na pele de cada um deles para entender melhor o que estão sentindo. Com exceção de August que acredito que poderia ter sido mais bem explorado, todos os outros personagens são muito interessantes e possuem falhas e defeitos e a grande jornada do livro é mostrar a maneira com que cada um enfrenta esses obstáculos.

As pessoas lembram o querem lembrar e esquecem o que querem esquecer. Se disse a ele uma coisa que considera importante e ele a esqueceu, é porque enganou você.

É uma leitura bem leve, ainda que seja devagar e possa parecer tediosa. O livro não possui nenhum grande clímax ou momento de impacto, mas eu simplesmente fiquei impressionado que Catherine em momento algum transforma a história em algo mórbido e baixo astral; muito pelo contrário, é uma leitura que vai te fazer rir, pois os personagens são muito carismáticos, mas acima de tudo, irá se emocionar e te fazer refletir muito. Confesso que fui com muitas expectativas com relação ao livro e esperava uma história arrebatadora e e surpreendente, mas a autora nos entrega uma história coesa que peca em alguns pontos durante o desenvolvimento da trama. Ainda com essas falhas, eu acredito que tenha sido uma história muito enriquecedora e capaz de despertar muitos sentimentos bons enquanto lia. Talvez não apareça em minhas listas de final de ano, no entanto, caso você esteja buscando uma leitura reflexiva, Leve-Me Com Você é sua escolha certa.


Nota: 4,0 / 5,0

Espero muito que tenham gostado da resenha de hoje, estou bem feliz de voltar com as resenhas, mas não se enganem: Ainda haverão muitos outros especiais no site! Fiquem ligados.


Mas cada um de nós tem alguma coisa que causa tristeza, ele pensou. E ninguém pode nos salvar de todas elas.

Até breve. 





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