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Menina Boa, Menina Má | Resenha


Segredos, quando bem explorados, podem ser úteis.



Ei, tudo bem com vocês?

Mais uma resenha na área e estou de volta com uma resenha muito especial aqui para o site. Eu já tenho esse livro na estante por um bom tempo, mas sabe o sentimento quando você quer ler, mas ao mesmo tempo não? Fui eu com essa leitura. Como estou com um projeto para desencalhar minha estante, finalmente peguei para ler Menina Boa, Menina Má da autora Ali Land e eu não consigo entender o porquê de ter demorado tanto tempo para ler essa obra supreendente e maravilhosa.

Hoje vou contar um pouquinho pra vocês sobre essa experiência. Vamos lá.


Título Original: Good Me, Bad Me
Autor(a): Ali Land
Editora: Record
Data de Publicação:  22 de setembro de 2016
Gênero: Thriller, Suspense
Número de Páginas: 378 páginas
Sinopse: Quando Annie, 15 anos, entrega a sua mãe à polícia espera um novo começo de vida - mas será que podemos realmente escapar ao nosso passado? A mãe de Annie é uma assassina em série. Annie ama a sua mãe, mas a única maneira que tem de a fazer parar é entregá-la à polícia. Com uma nova família de acolhimento e um novo nome - Milly -, espera um novo começo. Agora pode ser quem quer. Mas, com o julgamento da mãe à porta, os segredos do passado de Milly não vão deixá-la dormir... Quando a tensão sobe, Milly vai ter de decidir: será uma menina boa? Ou uma menina má? Porque a mãe de Milly é uma assassina em série. E ela é sangue do seu sangue.

O livro chama atenção logo de cara por sua sinopse: Anne é filha de uma serial Killer. A jovem de 15 anos cresce em meio a um lar totalmente disfuncional enquanto observa sua mãe atrair e sequestrar crianças, levá-las para casa e mantê-las em cativeiro no local em que ela chama de playground. Nesse cômodo acontecem as coisas mais terríveis e Anne observa tudo pela fechadura. Após a morte de mais uma das vítimas, Anne cansada de sofrer abusos, além de testemunhar a morte de crianças, resolve ir até a polícia denunciar sua mãe que acaba sendo presa. Anne, então, entra para o programa de proteção a testemunhas e passa a adotar o nome de Milly  indo viver com a família de um psicólogo enquanto se prepara para ser a testemunha chave no julgamento da sua mãe. David, o psicólogo aproveita as sessões para se aprofundar mais no caso da jovem para escrever seu livro e enquanto isso, a jovem tenta se enturmar com a mãe e a filha do casal, Phoebe.

Li num livro uma vez que gente violenta tem a cabeça quente, enquanto psicopatas são frios de coração. Quente e frio. Cabeça e coração. Mas e se a gente sai de uma pessoa que é a duas coisas? O que acontece?

O que mais me chamou atenção no livro é a escrita da autora. Desde a primeira página ela te cativa e prende sua atenção. Ela não perde tempo em elementos pouco importantes para a história e, tenham certeza, ela deixa pistas o tempo todo sobre o desfecho do livro, no entanto, elas só ficam claras quando você finalmente chega lá. A história se desenvolve de uma maneira muito rápida e dinâmica em que somos apresentados ao passado da jovem através de flashbacks que acontecem mesclados com o presente da narrativa. É tudo tão bem escrito e amarrado que você se vê literalmente preso a história tentando entender. O título Menina Boa, Menina Má não é meramente ilustrativo e faz exatamente jus a personagem que brinca e explora essa dualidade de caráter durante toda a narrativa. A família aparentemente perfeita de David possui diversas falhas e brechas que são muito bem exploradas por Annie para plantar a desconfiança e as brigas passam a ser cada vez mais frequentes. Secretamente, a personagem desenvolve uma obsessão por David que representa a figura paternal que ela nunca possuiu e ela passa a querer ele somente para si. Ao mesmo tempo em que a personagem apresenta esse desvio de caráter, ela realiza diversas coisas boas e você frequentemente se pergunta se ela é de fato boa ou má e isso é muito bem explorado pela autora. Eu lia e não fazia a menor ideia sobre o que Milly (ou Anne) de fato queria e passei todo o tempo me perguntando se ela realmente boa ou má.



O livro é possui uma mescla muito grande entre livros como "Objetos Cortantes" de Gillian Flynn por mostrar essa descontrução familiar e o crescimento em um ambiente tóxico com o filme de suspense "A Orfã", por trazer essa dualidade em uma personagem "juvenil". A escolha de enredo foi muito feliz para a autora que cria uma obra de tirar o fôlego. Eu fiquei totalmente obcecado com a história e eu não conseguia parar de ler porque eu precisava ler e saber mais. Um detalhe interessante é que em momento algum a história passa a ser sobre sua mãe e sim os efeitos de sua criação na filha. A personagem é tão imponente que se encontra impregnada na filha e é muito interessante ver essa evolução da personagem. Como já é comum em livros do gênero, chega o momento do grande plot twist da história. Fiquem tranquilos, não irei comentar sobre, mas se lembram sobre o que eu disse em que a autora deixa migalhas durante toda a narrativa que se encaixam e fazem sentido ao saber de tudo? Eu achei simplesmente sensacional e me peguei relendo várias vezes o mesmo trecho pra ter certeza se era aquilo mesmo que estava acontecendo. O desfecho foi a cereja do bolo para uma história que foi construída de maneira coesa e com perfeição. Me lembro de fechar o livro e estar com aquele pensamento de: "Que livro foi esse?". Como estava com saudades de ser arrebatado assim por uma leitura.

Achei que você seria menos dona de mim depois que eu a entregasse, mas às vezes tenho a sensação de que é ainda mais. Uma coisa inocente como um passeio de escola vira uma viagem ao meu passado com você. Correntes invisíveis. 

Com tudo isso dito, provavelmente vocês já imaginam que o livro se transformou num dos meus favoritos da vida e, arrisco dizer, que foi o melhor suspense que li em 2019.


Nota: 5,0/5,0

Ainda meio atônito com essa história e esses personagens tão marcantes, eu me despeço. Espero muito que vocês tenham gostado da resenha de hoje e não se esqueçam de ficarem ligados para muitas novidades.

Até a próxima!


Sim, eu sempre vou ser Annie para você, mas para os outros sou Milly. Gêmeas siamesas dentro de mim, em guerra. Menina boa. Menina má. Está orgulhosa de mim, não está? Eu joguei o jogo, talvez até tenha ganhado, mamãe. 

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