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Precisamos Falar Sobre Kevin | Livro X Filme



"Talvez pareça injusto, mas a gente no fim tem que se perguntar sobre os pais.

Olá, tudo bem?

Eu demorei demais a fazer a resenha desse livro. O motivo? Eu não sabia por onde começar. Estamos em novembro e se não me falha a memória, eu fiz a leitura de Precisamos Falar Sobre o Kevin, escrito por Lionel Shriver em meados de setembro. Recentemente assisti também a sua adaptação cinematográfica produzida em 2011 e hoje iremos comentar sobre as duas obras, suas diferenças e qual das duas eu gostei mais.

Vamos começar?


Título Original: We Need To Talk About Kevin
Autores: Lionel Shriver
Editora: Intrinseca
Gênero: Drama, Suspense
Número de Páginas: 464
Sinopse: Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Acredito que esse tenha sido o livro mais difícil que li esse ano. Precisamos Falar Sobre Kevin é uma leitura densa, pesada e perturbadora em que Lionel Shriver escreve a mais crua e nua verdade sobre jovens aparentemente normais que entram em escolas e tiram as vidas de outros estudantes, professores e funcionários. Utilizando a realidade americana em que tragédias como essa são cada vez mais corriqueiras, o livro mergulha na vida de um jovem problemático e como as consequências de seus atos afetam os demais membros da família; no entanto, o grande foco da obra é entender como coisas como essa acontecem e de quem é a responsabilidade. Seria dos pais que não perceberam os sinais? A escola que não soube identificar o problema? Esses são apenas alguns questionamentos dos muitos que acontecem ao longo das mais de 400 páginas que a história é contada.

Desculpe, mas você não pode esperar que eu evite o assunto. Posso não saber como chamar aquilo, aquela quinta-feira: atrocidade parece coisa tirada de jornal, incidente é minimizar de forma escandalosa, quase obscena, o que houve, e o dia em que nosso filho cometeu assassinato em massa é comprido demais para cada menção que eu fizer, certo? E eu vou fazer. Acordo com isso na cabeça todas as manhãs e durmo com isso todas as noites. É meu parco substituto para um marido. 

Precisamos Falar Sobre Kevin é todo narrado a partir da visão de Eva que envia uma série de cartas para seu marido, dando detalhes e descrevendo todas as experiências vividas com Kevin até o fatídico dia em que tudo acontece. Eva era uma mulher que se sentia satisfeita com a vida que levava, tanto no âmbito pessoal, quanto pessoal. Autora célebre de guias turísticos e vivendo um casamento feliz, Eva nunca demonstrou nenhuma vontade em se tornar mãe, mas devido a pressão extrema que seu marido fazia para aumentarem a família, Eva acaba cedendo e dá luz a Kevin. O livro é cru e por diversas vezes, Eva demonstra a aversão que sentia por Kevin antes mesmo de seu nascimento: Ser mãe nunca havia sido sua vocação. O livro continua seguindo e através das cartas, vamos conhecendo mais detalhes a respeito da infância e adolescência de Kevin, que sempre tratou a mãe com hostilidade, reflexo de sua criação. Apesar da aparente normalidade da relação de Kevin com seu pai, o jovem sempre se demonstrou rebelde e fechado. O tratamento com sua irmã mais nova, segunda filha do casal, não era diferente e frequentemente sofria com as brincadeiras maldosas do irmão.

Você só consegue afetar quem tem consciência. Só pode punir quem tem esperanças para serem frustradas ou laços a serem cortados quem se preocupa com a opinião dos outros. Você, na verdade, só consegue punir quem já é pelo menos um pouquinho bom.

É uma narrativa muito densa e que você se sente muito mal enquanto lê, pois a autora explora muito sentimentos como luto, revolta e culpa, mas como citei lá no início, não é um livro muito fácil de ser lido, uma vez que a autora abusa de descrições e longas divagações por parte da personagem. O grande foco da obra, em minha opinião, não é detalhar os atos de Kevin, mas sim esmiuçar a frágil relação de uma família suburbana e tentar entender o que pode causar uma tragédia como essa. É uma obra em que é necessário estar preparado e acredito que mesmo assim irá encontrar dificuldades para avançar na leitura, no entanto, é uma obra completa e atemporal que segue servindo para a inspiração de muitas outras histórias.

Nota: 3,5 / 5,0 




Data de estreia:27 de janeiro de 2012
Gênero: Suspense, Drama
Distribuidora: Paris Filmes
Direção e desenvolvimento: Lynne Ramsay
Duração: 1h50 min
Sinopse: Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando mas, mesmo conhecendo o filho muito bem, Eva jamais imaginaria do que ele seria capaz de fazer.


O filme, em minha opinião, conseguiu ser superior em alguns quesitos, quando se compara com a obra literária que, como citei, se arrasta por diversos momentos. No longa não ocorre a comunicação por cartas entre Eva e seu ex-marido. A história é contada em formatos de flashbacks, com cenas em que se mostra momentos da vida da família antes da tragédia e o presente de Eva e como ela lidou com tudo que aconteceu. Ainda que sejam recursos semelhantes, ao meu ver, o filme tornou o desenrolar da história mais dinâmico e menos arrastado. Considero como uma boa adaptação, uma vez que existem mudanças com relação ao livro, se manteve bem fiel com relação a mensagem principal da história. O melhor do filme, em minha opinião, foi a excelente escolha para o elenco: Ezra Miller vive o problemático Kevin e o ator dá o peso e profundidade que o personagem merecia. Seus olhares e expressões faciais realmente passam o quão quebrado psicológicamente Kevin é, além de desmontrar profunda frieza e apatia com relação aos seus atos. A excelente Uma Thurmam viveu Eva e os dois fazem uma bélissima dupla de atuações e agora não consigo associar outra atriz para viver a problemática mãe de Kevin. Os dois se destacam até em cenas que não possuem fala em que a expressão corporal de antes fala por si só.




Outro detalhe que achei interessante é que o longa possui uma paleta de cores muito quentes e saturadas, abusando do vermelho e laranja (principalmente na cena de abertura do filme); tudo contribui ainda mais pra criar essa atmosfera densa e problemática que culmina no massacre na escola em que Kevin estuda. Ezra e Uma carregam todo o filme nas costas e acredito que tenham sido perfeitos para o papel. Com relação  Ambas as obras são responsáveis por trazerem questionamentos muito pertinentes principalmente sobre segurança escolar ao abordar uma temática que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais comum nos EUA. 


Nota: 5,0/5,0 




Espero que tenham gostado do texto de hoje e não se esqueçam de comentar e compartilhar com seus amigos, além de nos seguirem em todas as redes sociais.

Até a próxima quarta!


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