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Novembro de 63 | Resenha


A história se repete é outra maneira de se dizer que o passado se harmoniza.


Olá, tudo bem?

Acredito que o post de hoje seja o mais especial que já escrevi até então para o site. Semana que vem já é Natal, estamos finalizando o ano de 2019 e, mesmo com algumas leituras pendentes, não acredito que irei mudar de opinião acerca de Novembro de 63, do mestre Stephen King: Esse foi o meu livro favorito do ano e, se bobear, da minha vida. Eu muito ouvia falar sobre essa obra, mas não acreditava que ela se transformaria não só como meu livro favorito do ano mas também o livro favorito do autor, deixando It na segunda posição. Hoje vim falar um pouquinho (ou muito) pra vocês sobre essa obra muito especial e acredito que seja muito propícia para essa época do ano, pois é o tipo de leitura altamente reflexiva e que te faz pensar sobre diversos aspectos da sua vida, coisa que normalmente fazemos durante o final de ano.

Vamos falar de Novembro de 63.


Título Original: 11/22/63
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Suspense, Ficção paranormal
Data de Publicação: 8 de novembro de 2011
Número de Páginas: 849
Sinopse: A vida pode mudar em um instante e dar guinadas extraordinárias. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade no Maine, quando Al, dono da lanchonete da cidade, o recruta para assumir a missão que se tornou a obsessão de sua vida: deter o assassinato de John Kennedy. Como? Atravessando um portal na despensa da lanchonete que o transporta para o ano de 1958, a época de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Jake logo se vê na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas, onde dá início a uma nova vida e às suas investigações. Mas todas as curvas dessa estrada parecem levar ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado... com consequências imprevisíveis. 

A história mundial é marcada de eventos marcantes, tragédias, vitórias e de diversos marcos que nos levaram à vida que possuímos hoje. O que você faria se tivesse a oportunidade de viajar até um período em específico para não apenas testemunhar, mas ser capaz de alterá-lo, modificando assim o curso da história e, consequentemente seu presente? Você faria? É nesse contexto que a maravilhosa história de Novembro de 63 se baseia. Em 2011, Jake Eppings é um professor de inglês na casa dos 30 anos que não possui muitas expectativas com sua vida. Sua mulher o largou meses atrás devido a problemas com bebidas e o ponto alto da vida de Jake são as aulas que ele ministra na escola de Lisbon Falls, no Maine e comer hambúrguer em uma lanchonete de um velho amigo seu, chamado Al. Um dia, Al, que sofre de câncer de pulmão que já se encontra em estado terminal, revela a Jake que na dispensa de sua lanchonete, há um buraco de coelho que permite que você viaje até o longínquo ano de 1958, no entanto, essas não são as únicas peculiaridades da "toca": Não importa quanto tempo você passe em 1958, no presente (ou seja, em 2011), somente se passa dois minutos. Além disso, cada vez que você atravessa o portal para o passado, ele se reinicia, isso significa que as mesmas coisas sempre irão acontecer. 

Mas, com o tempo, o homem se acostuma com qualquer coisa, e quando o choque finalmente diminuiu, comecei a achar que encontrara aquela velha toca de coelho por alguma razão.

Al revela então seu ambicioso plano: Desde a descoberta do portal, o homem vem se preparando e estudando um dia em específico: 22 de novembro de 1963, o dia em que o presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy foi alvejado e morto por Lee Harvey Oswald. Al pretendia entrar no portal em 1958 e viver até o ano de 63 para impedir que Oswald atirasse em Kennedy e desencadeasse os inúmeros eventos causados após a morte do presidente, como a Guerra do Vietnã, contudo, devido às limitações de sua doença, ele não possuía força e nem energia para conseguir e "passa" o bastão para Jake, que assume a identidade de George e atravessa o portal para o ano de 1958. Lá, irá viver por 5 anos esperando e se preparando para impedir o atentado, no entanto, em 2011, no presente, sua jornada somente durará 2 minutos. Eu entendo que é muita informação para assimilar, mas acredito que tenha explicado da melhor maneira possível como funciona essa viagem do tempo.


Vocês já ouviram aquele ditado: O bater de asas de uma borboleta pode causar um terremoto do outro lado do mundo? É exatamente esse conceito da teoria do caos que King explora em Novembro de 63. Uma vez em 1958, Jake/George tem a oportunidade de mudar diversos eventos, enquanto espera pelo ano de 63 para que pudesse impedir o atentado contra a vida do presidente. É nesse ponto que o livro se destaca e traz uma belíssima narrativa. King é tão profissional que traz muitos aspectos sobre a década de 50/60 que realmente impressionam. A história é muito rica em detalhes e traz aspectos difíceis da época, como a segregação racial em que negros não "possuíam" o direito de utilizarem os mesmos banheiros que os brancos e a maneira com que a sociedade tratatava as mulheres, além de apresentar um forte viés político, trazendo aspectos governamentais de Kennedy que até então, eu desconhecia. O livro por si só uma verdadeira aula de história e altamente informativo, ainda que não seja focado na vida do presidente, ou muito menos uma obra biográfica, King traz o aprofundamento certo para que a história fique ainda mais interessante.

Como vocês viram ali em cima, a história se passa no estado do Maine, local em que basicamente todas as histórias de Stphen King são narradas, logo, a teoria do nosso Kingverso está vivíssima e aqui nós temos a participação de dois personagens muito especiais e de uma obra muito conhecida do autor: Richie Tozier e Beverly Marsh, membros do Clube dos Otários do icônico It: A Coisa, que inclusive, está presente em uma das cenas. Sim, senhoras e senhores, Jake Eppings tem um rápido encontro com Pennywise. Só King é capaz de trazer essas conexões de maneira tão incrível para dentro de suas obras. Referências e conexões à parte, o livro possui um único defeito e que me deixou um pouco entediado enquanto mergulhava nas mais de 800 páginas dessa história fantástica. Em um dado momento, Jake se envolve com Sadie, uma jovem casada. Ela é uma das melhores personagens de todo o livro, no entanto, King abre muito a narrativa e foca em muitos detalhes da união do casal e são coisas que, em minha opinião, acabam deixando a história principal em segundo plano. Apesar dos pesares, os dois juntos são muito incríveis e formam uma ótima dupla, inclusive, Sadie auxilia e participa do plano de Jake para salvar o presidente, só achei que o desenvolvimento da relação dos personagens poderia ter sido um pouco mais rápida e breve e não recheadas de detalhes e páginas em que nada acontece. Ainda sim dá pra sobreviver e o livro logo engata novamente.



Eu me lembro de achar o final de Joyland (acho que eu fui um dos poucos leitores que curtiram esse livro), um dos mais belos e simples que King já escreveu. O autor tem uma fama de finalizar muito mal suas obras, mas como eu estava enganado com relação a Novembro de 63. Explorando toda essa temática de efeito borboleta, o autor nos entrega um final de partir o coração e de encher os olhos de lágrimas, mas ainda sim, muito coerente com a história criada até então. Eu não vou entrar em detalhes e dizer se conseguiram impedir a morte de Kennedy ou o que mudou caso tenham impedido o assassinato e muito menos se Jake e Sadie conseguem ficar juntos, mas toda vez que for citar uma obra do King que é impecável do início ao fim - principalmente no final - eu citarei Novembro de 63. Como disse lá no início, é uma obra muito reflexiva sobre o poder de escolhas e o peso de nossos atos sobre quem somos. Muitas vezes ficamos nos criticando e dizendo que deveríamos ter agido de maneira diferente diante de uma situação específica, mas tudo que passamos serviram para nos colocar exatamente onde deveríamos estar. É uma obra muito impactante e que fiquei refletindo por horas e, se eu pudesse voltar no tempo só para ter o gostinho de ler essa história como se fosse a primeira vez, eu certamente o faria.

Por um instante tudo ficou claro e, quando isso acontece, a gente vê que o mundo mal existe. Em segredo, todos não sabemos disso? É um mecanismo de gritos e ecos que se equilibra com tanta perfeição fingindo ser rodas e engrenagens, um relógio de sonhos que toca atrás de um vidro de mistério que chamamos de vida. Atrás? Embaixo e em volta? Caos, tempestades. Homens com martelos, homem com facas, homens com armas de fogo. Mulheres que distorcem o que não podem dominar e desdenham o que não conseguem entender. Um universo de perda e horrores a cercar um único palco iluminado onde os mortais dançam em desafio às trevas…


Ah, e antes que eu me esqueça! Novembro de 63 recebeu uma ótima adaptação em formato de mini série com 8 episódios que conta exatamente as aventuras de Jake em 1958. Eu ainda não assisti, mas todos falam muito bem e a produção conta com nomes de peso, como James Franco que dá vida ao professor e J.J Abrams na produção. Mal posso esperar por assistir! 

Foto: 11/22/63 | Reprodução: Hulu




Nota: 5,0/5,0

Com essa resenha super especial, eu finalizo o meu ano de 2019 aqui no Startes. Semana que vem já é Natal e trarei uma lista bem temática aqui para vocês e logo depois já estaremos em 2020! Eu gostaria muito de agradecer a todos vocês que visitaram o nosso site em algum momento e leram nossos textos e reviews, além de terem compartilhado com seus amigos e familiares; em pouco mais de seis meses, nosso site cresceu muito e atingimos objetivos que demorariam muito mais tempo, se não fossem por causa de vocês. 

Já estamos nos preparando para o ano que se inicia e eu prometo que não vai faltar novidades, parcerias e é claro, muitas resenhas e críticas.

Boas festas e nos vemos ano que vem! :)



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