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Garota Exemplar | Resenha



Pergunto-me então se cometi um erro muito grande.



Oi, Starters! Tudo bem do lado daí?

Essa é a minha primeira resenha por aqui e vou contar um pouquinho mais da minha história no mundo da leitura antes de começar.

Por muitos anos eu fui uma leitora super assídua, daquelas que devorava um livro por semana (quando não mais).  E olha que na época que comecei a ler livros de fato (tô desconsiderando gibis, livros infantis e afins), não tinha essa facilidade de acesso à leitura como temos hoje. Os livros não tinham preços mais acessíveis como hoje, a internet era pra poucos e leeeenta (sou da época da internet discada, queridos) e não existia essa facilidade de fazer download de livros ou comprar um e-book. E nem por isso, eu deixava de ler com frequência. Eu pegava livros na biblioteca. Sim! Biblioteca.

Eis que a vida adulta chega, tive que trabalhar, estudar, dedicar-me a várias atividades diárias que passaram a ocupar MUITO do meu tempo. Aí, soma isso com a chegada das redes sociais que nos deixa absortos num mundo não-real hahahaha...  Enfim, acabei me afastando totalmente da leitura.

MAS, no final de 2019 pra 2020, quando “pulei as ondinhas” à meia-noite, eu prometi pra mim mesma que nesse ano eu faria 2 coisas: leria mais e escreveria um livro (toda pretenciosa ela!).
E tendo me proposto isto, cá estou eu, com a resenha quentinha de um livro FANTÁSTICO que eu devorei em Janeiro. E, queridos, se eu devorei de forma tão veroz, é por que É BOM (por que eu sou chata e me entedio fácil)!

Vem comigo!


Título Original: Gone girl
Autor(a): Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Data de Publicação: 22 de fevereiro de 2013
Gênero: Policial, Suspense, Mistério
Número de Páginas: 448 páginas
Sinopse: Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do Rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.


O título do livro traduzido para o português não seria algo que me chamaria atenção de cara. Acho que não faz jus a grandeza desse livro. Acontece que pra quem curte uma trama policial com muito mistério, suspense e uma pitada não tão sutil de crueldade, eu o recomendo fortemente... de verdade.

 “Admito que sorrio por que ele é lindo. Lindo de deixar a pessoa distraída, o tipo de aparência que faz seus olhos revirarem, que faz você mencionar o fato – “Você sabe que é lindo, não sabe?” – e continuar a conversa. Aposto que os homens o odeiam: ele parece o vilão riquinho em um filme adolescente dos anos oitenta, aquele que atormenta o menino diferente e sensível...”

A história se inicia contando sobre o relacionamento de Amy e Nick. Amy é uma mulher de família rica, nascida e criada em Nova Iorque. Nick é um homem de origem mais simples, nascido e criado em uma cidade no interior de Missouri. Mundos completamente diferentes, família estruturadas de formas distintas. Apesar desses detalhes, eles vivem um casamento equilibrado e clichê de filmes e romances literários. Porém, quando os dois ficam desempregados, tudo muda. Atados à uma rotina dentro de casa, tendo que se submeter à uma convivência agora quase integral, os defeitos começam a incomodar um ao outro. Amy ainda parece segurar as pontas do relacionamento por mais tempo, como se tivesse mais ânsia em manter o equilíbrio conjugal, porém Nick passa a ter um comportamento ainda mais egoísta, sentindo-se perdido e afetado pela situação de maneira muito mais incômoda. O casamento vai entrando em crise e perde completamente a doçura do início. Junto à crise, surge a necessidade de mudarem-se para o Missouri por conta de uma doença que atinge a mãe de Nick. E é então que a história toma um rumo completamente diferente. Em seu aniversário de cinco anos de casamento, Nick chega em casa e encontra a casa aberta, móveis quebrados e a esposa desaparecida.

 “Às vezes tenho a impressão que Nick se fixou em uma versão de mim que não existe. Desde que nos mudamos para cá eu saí à noite com outras mulheres e fiz caminhadas beneficentes, preparei refogados para o pai dele e ajudei a vender bilhetes de rifas. Liberei o resto do meu dinheiro para dar a Nick e Go para que eles pudessem comprar o bar que sempre quiseram, e até coloquei o cheque dentro de um cartão em forma de caneco de cerveja – Tim-tim para vocês!” -, e Nick simplesmente soltou um obrigado seco de má vontade. Não sei o que fazer. Estou tentando.”

O que me prendeu ainda mais à essa leitura, foi sua narrativa. Apesar de ser narrado em primeira pessoa, o livro ela se alterna entre o Nick e a Amy. Os capítulos do Nick se passam em tempo real enquanto os da Amy são baseados em suas anotações do diário. Essa alternância na narrativa é o que dá um tom ainda mais instigativo e viciante ao ler a trama. Assim que se iniciam as investigações, no decorrer da história fica extremamente visível que muita informação não está batendo. Nick reage de forma quase blasé ao desaparecimento da esposa, ajudando de forma quase robótica nas investigações, demonstrando falta de interesse no que está ocorrendo. Já Amy faz com que suas anotações de diário façam coro ao comportamento de Nick, narrando fatos, situações e emoções que combinam perfeitamente à atitude do parceiro em relação ao seu desaparecimento. A investigação é liderada principalmente pela policial Rhonda Boney, que se mostra um personagem extremamente inteligente e perspicaz, não se deixando levar por provas circunstanciais sem que estejam devidamente embasadas em fatos. Durante as investigações, Nick é protetoramente amparado pela sua irmã gêmea, Go, que faz jus aos ditos populares de que gêmeos têm uma ligação extremamente forte e singular. Quanto mais a história se desenrola, mais certeza fui atribuindo de que as suspeitas sob Nick estão certas. E fica difícil tentar pensar em outro culpado. Fui tentando montar mentalmente um quadro de investigação, organizando as pistas, os acontecimentos, as emoções e as ações. Tudo me fazia ter completa certeza e completa dúvida ao mesmo tempo em relação ao culpado pelo sumiço de Amy.

“Porque há algo terrivelmente errado com meu marido, estou certa disso agora. Sim, ele está de luto pela mãe, mas é algo mais. Parece dirigido a mim, não uma tristeza, mas... Sinto ele me observando às vezes, e ergo os olhos e vejo seu rosto contorcido de desgosto...”

Não posso comentar muito além disso, pois não é minha intenção entregar spoilers da história. No entanto, afirmo com toda a certeza, que se você ainda não assistiu o filme, vale E MUITO não assistí-lo ainda e mergulhar nessa trama completamente envolvente e misteriosa. Acho que assistir ao filme Garota Exemplar após finalizar o livro é válido, mas após finalizar sua leitura, você entenderá o porquê eu insisto tanto que leiam essa obra antes de assistir ao filme. A autora te prende do início ao fim, fazendo com que a leitura flua de forma fácil e contagiante. A história possui ao menos duas reviravoltas de cair o queixo, em que você se questiona os motivos de isso tudo estar acontecendo com Amy. Os personagens criados para compor a obra são desenvolvidos de acordo com a necessidade exata para figurar e construir a história. A trama não se perde do assunto principal, não é massante, não enche página sem indispensabilidade. Quando terminei o livro, permaneci muito tempo absorta pensando em que sorte tive de retomar meus hábitos literários com uma obra nesse nível de primazia.

“Enfiei a cabeça nas mãos e murmurei Meu Deus, Meu Deus, e enquanto fazia isso, vi minha esposa no chão da nossa cozinha... a cabeça esmagada”


Esse livro entrou pro hall de favoritos da vida e insisto novamente: Se ainda não viu o filme, LEIA O LIVRO. Depois, você assiste o filme e me conta o que achou.

Nota: 5,0 / 5,0

Espero que tenham mergulhado junto comigo nessa resenha e que eu tenha atiçado a vontade de ler essa trama maravilhosa.

Até mais!






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