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Você - Primeira Temporada | Crítica


Às vezes , fazemos coisas ruins pelas pessoas que amamos. Não significa que é certo, significa que o amor é mais importante.



Oi, Starters! Tudo bem do lado daí?

Hoje vim trazer pra vocês a crítica da série Você (You) - série do canal Lifetime e distribuída mundialmente pela Netflix - que teve sua primeira temporada em Dezembro de 2018 e que acabou de ter sua segunda temporada lançada no finalzinho de 2019.

Pra quem não sabe (e eu não sabia até assistir à 2ª temporada),  a série é baseada em 2 romances da escritora Caroline Kepnes: You (Primeira temporada) e Hidden Bodies (Segunda temporada). Não li nenhum dos dois livros, e como já comecei a assistir a série, não sei se teria o mesmo impacto com a história. Porém, se vocês quiserem resenha literária dessas duas obras, peçam nos comentários que me comprometo em lê-los e além da resenha, fazer um comparativo Livro x Série. O que acham?

Como não fiz a crítica da primeira temporada, pois ainda não era colaboradora do canal, eu vou fazer as críticas separadas para cada temporada.  Então, fiquem ligados que em breve sairá a crítica da segunda temporada para vocês por aqui.

A série foi dirigida por Sera Gamble (uma das roteiristas das 7 primeiras temporadas de Supernatural) e Greg Berlanti (que já produziu séries como Titans, Dawson’s Creek e Riverdale).  É uma série de drama, suspense, com uma trama bem envolvente, instigante e sombria.




  • Título Original: You
  • Duração: 449 minutos
  • Ano produção: 2018
  • Estreia: 26 de Dezembro de 2018
  • Distribuidora: Netflix
  • Dirigido por: Sera Gamble, Greg Berlanti
  • Classificação: 16 anos
  • Gênero: Drama, Suspense
  • Países de Origem: EUA
  • Sinopse: Guinevere Beck é uma aspirante a escritora, que vê sua vida mudar completamente ao entrar em uma livraria no East Village, onde Joe trabalha. Assim que a conhece, Joe tem certeza de que ela é a garota dos seus sonhos e ele fará de tudo para conquistá-la. A partir daí, uma série de acontecimentos estranhos tomam conta da vida dos dois.


A série conta a história de Joe (Penn Badgley, que atua como o Dan em Gossip Girl) gerente de uma livraria em Nova York e aparentemente um cara tranquilo, gente boa e simpático. Certo dia, Guinevere Beck (Elizabeth Lais) entra na livraria para comprar um livro e os dois sentem uma conexão imediata, que não passa de um flerte e uma conversa. Beck paga o livro e vai embora. Beck nem desconfia da real personalidade de Joe, que é uma pessoa demasiadamente obsessiva e na intenção de dar continuidade ao flerte da livraria, faz uso do comprovante do seu cartão de crédito para achá-la nas redes sociais e stalkear Beck até conseguir o endereço da sua casa. E é a partir de “coincidências” e “casualidades” – note as aspas, por favor – que Beck e Joe passam a se encontrar casualmente e Joe consegue se aproximar de Beck. Munido de diversas informações que Beck dá e provê diariamente nas suas redes sociais, é muito fácil para Joe se tornar o namorado dos sonhos de Beck, afinal, ele sabe tudo o que ela gosta.



A série é narrada a partir do ponto de vista de Joe e para mim esse é o detalhe mais brilhante da série. Joe sempre explica o que irá fazer e os motivos que o levam a fazer certas coisas e em momento nenhum fica a dúvida das razões que o levaram a proceder de tal forma. Ele age com clareza, por motivos extremamente passionais, que para ele são racionais e óbvios. Fica claro no decorrer da série que a mente de Joe é doentia e que ele é um sociopata capaz de tudo para conquistar e permanecer ao lado da mulher que ama. E ele realmente não mede esforços para tal.

E é aí que a série cria uma dualidade arriscada: mesmo sendo claramente um sociopata, manipulador, stalker e cruel, Joe também tem seu lado humano bem trabalhado e construído no decorrer da série. Ele é um homem simpático, que traz certo toque de romantismo por trabalhar em uma livraria e saber sobre tantos escritores e tantas obras interessantes, é cavalheiro, atencioso, educado. Ele não tem um perfil que o aponte como um sociopata. Em certos momentos de falta de lucidez do espectador, é possível inclusive entender o lado de Joe, e até mesmo achar certas atitudes fofas e plausíveis. Afinal, Joe não é uma pessoa inteiramente má. Ele tem traços de personalidade que são admiráveis e raros, porém isso não apaga o fato de que, sem dúvida alguma, a mente dele não funciona como uma mente normal (mas afinal, o que é de fato normal?).

E, para mim, esse é o ponto alto de toda a série. Quando saímos do contexto ficção e trazemos para a realidade, fica a pergunta: Quem é normal? Quem é stalker? Você é stalker? Quantas pessoas vivem ao nosso redor com potencial sociopata? Quantos Joe’s conhecemos? Existe algum perfil padrão para identificarmos um sociopata?

Outro ponto importante é que Beck também não é uma santa. Ela é uma mulher cheia de características bem humanas: ela erra, acerta, tem suas inseguranças, mente, trai. Mas, Joe vai além dessa lista de adjetivos. A série retrata claramente o divisor de águas de uma mente tecnicamente saudável para uma mente doentia, e aborda um assunto muito importante que tanto se debate na atualidade: relacionamentos abusivos. Esse apanhado de característiscas e dramas de Beck e Joe, criam uma atmosfera instigante na série, em que você mergulha cada vez mais na trama, ansioso pelo próximo episódio. A atuação de Penn e Elizabeth é praticamente impecável e ambos entregam de acordo com as expectativas criadas em cima dos personagens. Penn passeia confortavelmente entre as várias personalidades contrastantes do seu personagem Joe, sendo um homem apaixonante e amedrontador, e nos convence com primazia. Já Elizabeth dá vida à Beck de forma extremamente humana e cativante. Com uma atuação precisa, é possível nos sentirmos na pele da Beck várias vezes, invadidos pelos seus sentimentos, inseguranças e medos. Por vezes ela vive de forma tão humana  e errante que é possível ver mais sentido e acerto nas ações de Joe que nas dela (lá vem a dualidade perigosa que essa trama traz consigo de novo).



E aí eu te convido a pensar: O amor justifica todos os nossos atos? Há quem diga que sim, e Joe acredita que tudo o que faz é por amor, mas eu não concordo. A linha entre a obsessão e o amor não é tênue como muitos dizem por aí. Para mim são sentimentos completamente opostos, baseados em emoções deveras distintas. E é isso que a série nos traz de forma cristalina. Enquanto Beck se sente feliz e plena com o amor de Joe. Já ele pensa em maneiras de construir muros ao redor dela e eliminar todo e qualquer risco que possa pôr a relação dos dois em perigo. Joe age de maneira obsessiva, egoísta e controladora, porém sem que Beck perceba. Joe é inteligente nas suas ações, manipulando as situações e as pessoas. Entende quando digo que amor e obsessão não são sentimentos que se inteiram e/ou se complementam? São sentimentos que geram atitudes e comportamentos opostos.  A série também aborda tipos de relacionamento abusivo, não só entre Beck e Joe – que é explorado de forma bem clara e concisa - , mas entre Beck e seu ex, Beck e suas amigas, entre outros personagens. A série expõe diversos relacionamentos unilaterais, onde só se busca o conforto e satisfação própria, esquecendo-se do outro.

O uso indiscriminado e irresponsável das redes sociais também é trazido à tona na série. É sabido que Joe é um sociopata e tem o dom da perseguição, mas é fato que se Beck dosasse sua exposição nas mídias, dificultaria muito o “trabalho” de Joe. E isso nos deixa outro ponto a refletir: até onde devemos nos expor nas redes sociais? Quem são de fato as pessoas com as quais convivemos, cruzamos ou nem mesmo conhecemos ainda?

Fica claro que a série ultrapassa  a ficção pra mim, e traz vários assuntos a serem tratados e ponderados na vida real. Uma trama com um magnetismo fascinante, que te envolve e te leva a questionar fatos, comportamentos, sentimentos, relacionamentos, a vida em geral. A série tem profundidade, explora os personagens com riqueza de detalhes, aborda assuntos reais.
Enfim, super, super, super recomendo! Gosto de tramas que me levam a pensar depois que desligo a televisão e essa com certeza me deixou de queixo caído e com a cabeça à milhão!   



Nota: 5,0 / 5,0

E você, já assistiu a primeira temporada de Você? Curtiu? Deixa aqui sua opinião nos comentários! Em breve, vou soltar a crítica da segunda temporada. Aguardem!

Até a próxima!!





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