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Reconstrução | Tiago Iorc: Crítica




Vamos domingar numa quarta-feira ao som desse álbum maravilhoso?

Oi, Starters! Tudo bem do lado daí?

Hoje trago a crítica do álbum Reconstrução do Tiago Iorc que foi lançado em Maio de 2019. Crítica meio tardia, né? Sim, mas antes tarde do que nunca e tenho em mim que o que é bom, merece e deve ser compartilhado. E cá entre nós, esse álbum não é só bom... Ele é sensacional! E já digo de cara que antes que pareça que eu sou mega fã e logo suspeita pra falar, eu não curtia o trabalho dele até esse álbum.

O penúltimo trabalho de Tiago Iorc (pois ele lançou o Acústico MTV quatro meses depois) é de uma delicadeza e sofisticação ímpares. Com 13 faixas, o brasiliense passeia por dilemas da vida e da sociedade atual, como é exposto na faixa Desconstrução (que atingiu o 1º lugar de visualizações no YouTube e 2º lugar no Spotify e arrematou um Grammy Latina), e pelas vivências naturais dos relacionamentos, desconstruindo a visão de que na MPB todo romance é de conto de fadas e idealiza um amor perfeito. 

Após um hiatus em sua carreira, quando se despediu das redes sociais e ficou 1 ano e 4 meses sem deixar qualquer rastro, Tiago chega com o álbum audiovisual Reconstrução que traz ao mesmo tempo 13 videoclipes, 1 para cada faixa do cd. O novo trabalho de Iorc nos brinda com dois extremos: uma simplicidade enorme e uma complexidade imensa. Nos dias atuais onde mais é mais, ouvir um trabalho da indústria fonográfica em que o menos é mais é um deleite pra alma. E isso esse álbum tem de sobra: ALMA. Que raridade, não é mesmo?



Título Original: Tiago Iorc – Reconstrução
Ano Produção: 2019
Dirigido por: Tiago Iorc
Estreia: 5 de Maio de 2019 (Mundial)
Duração: 52 minutos
Gênero: Música Nacional
País de Origem: Brasil
Sinopse: Reconstrução é o quinto álbum de estúdio do cantor e compositor brasileiro Tiago Iorc, lançado no dia 5 de maio de 2019 pela Universal Music. O álbum é o primeiro material em estúdio desde Troco Likes (2015) e o primeiro lançamento desde o hiato que o cantor se submeteu em 2018. O material é acompanhado de vídeos musicais para todas as faixas, um filme dirigido pelo cantor com fotografia de Rafael Trindade.



A simplicidade fica por conta da produção do álbum e dos videoclipes, que não é pretenciosa como o que estamos acostumados hoje em dia, mas não faz feio em momento algum, pelo contrário. Não houve nenhum alarde acerca do lançamento de seu novo trabalho. Tiago simplesmente foi lá e disse nas redes socias que lançou e assim “fez a sua cama”. Apenas algumas horas após o lançamento, o álbum logo teve suas faixas entre as mais reproduzidas no Spotify, fazendo Tiago bater recordes no streaming - e esse trunfo é de Tiago por si só. Já a complexidade se dá pela forma intensa que esmiuça sentimentos e relacionamentos ao longo das faixas. Carregado de significado e arrematado com voz e melodias ainda mais lindas e enigmáticas, é um verdadeiro encanto ouvir suas novas canções.

Na minha humilde opinião, o nome do álbum da spoiler do motivo do sumiço de Tiago Iorc das mídias sociais: afastar-se desse mundo tóxico e tão vazio de singularidades e amor onde tudo parece ter um padrão para ser considerado correto e então se reencontrar, descontruir-se e reconstruir-se novamente. As novas músicas são de uma leveza inebriante e carregadas com tamanha sinceridade que te inspiram a querer encontrar o que há de bom no mundo, que mesmo escondido, ainda está por aqui.



“Quero te lembrar
Coisas triviais
Domingar a quarta feira
Posso te contar
Tudo o que sonhei um dia
Tudo só pra chegar aqui
Pra sentar e conversar, falar besteira
Ter alguém pra confiar a vida inteira
Nessa paz eu vou, munido de amor”
(Nessa paz eu vou) 


A primeira faixa “Desconstrução”, que pra mim é uma das letras mais fantásticas que já li, faz referência à canção “Construção”, de Chico Buarque. Essa faixa rendeu um Grammy Latino ao Tiago Iorc de “Melhor Canção em Língua Portuguesa” e posso afirmar que o resultado foi justíssimo! Nessa música conta-se a história de uma menina/mulher que busca nas redes sociais um alento para sua carência e sofrimento, vivendo uma vida e sendo uma pessoa que ela não é. A letra orna perfeitamente com sua melodia, triste e seca, que combina com a realidade por detrás da história contada e faz referência à um dos maiores problemas da atualidade: a perda de singularidade e espotaneidade da sociedade, onde vive-se para ganhar likes e ser aprovado por pessoas que mal conhecemos, vivendo uma vida que não levamos e sendo pessoas que não somos. No fim, a menina continua só, triste e vê que o mundo da internet não lhe aqueceu a alma e que as tentativas de se autopreencher com migalhas virtuais não lhe adiantaram em nada. Verdadeira lição de vida em forma de música. Se por acaso você resolver que Tiago Iorc não é pra você, ouça ao menos essa faixa.



“Entrou no escuro de sua palidez

Estilhaçou seu corpo celular
Saiu de cena pra se aliviar
Vestiu o drama uma última vez
Se liquidou em sua liquidez
Viralizou no cio da ruína
Ela era só uma menina
Ninguém notou a sua depressão
Seguiu o bando a deslizar a mão
Para assegurar uma curtida”
(Desconstrução)




Tiago Iorc traz histórias de amor e desamor, conflitos e autoamor. A cada faixa, um convite novo para refletir sobre o que temos feito com nossa vida, nossos relacionamentos e nossa existência. Preenchido com sua voz doce e por vezes bastante sensual – E que voz! Tiago traz uma extensão vocal admirável e perfeitamente alocada em cada faixa – e muito violão – seguindo uma linha característica da carreira do artista –, o álbum consegue trazer uma sonoridade muito diferente dos outros trabalhos de Tiago. Ele mesclou seu folk-pop com a MPB e transitou lindamente por esses estilos musicais com faixas pra ouvir agarradinho, pra refletir ou até mesmo pra arriscar alguns passos de dança. As músicas brincam com o lúdico e o real e desestigmatizam a ideia de que a vida e os amores são perfeitos. Simples e por vezes introspectivo, mas denso e recheado de cotidiano é um trabalho verdadeiramente artístico e pra mim uma obra-prima da atual indústria musical brasileira.




“Nesse jogo de tanto fazFoi que a gente se desfezE agora? A gente dançaNessa guerra pela pazNessa insana lucidezA vida nunca cansaPor que será?"(A vida nunca cansa)








Tiago participou de cada mero detalhe do novo álbum visual. É ele quem dirige todos os videoclipes, assinados por Iorc e Rafael Trindade. Também estrela quase todos os seus vídeos, sempre acompanhado de Michele Alves. O trabalho visual do novo álbum casa com essa atmosfera de simplicidade, combinando leveza e sem muitas ações dentro do mesmo videoclipe. É tão contagiante que quase te transporta pra cena.





Vem cá
Vem e me mostra
O que é que falta
Pra encaixar na tua
Bota jogo na minha cintura
Vem e me mostra O que é que falta Pra encaixar na tua Bota jogo na minha cinturaDois pra lá e dois pra cá Caio no teu samba Faço festa em teu quadril Deixo tudo balançarVida, eu e você num baile de gala Me tira pra dançar Vem aqui Cola na minha alma”(Me tira pra dançar)




Reconstrução não é um álbum que conta uma história única de vida, mas nos apresenta ciclos dela. Ciclos reais os quais todos nós vivemos e passamos ao longo da vida até então. E por se tratar de cantar a vida, não é o álbum mais animado para se ouvir, mas não deixa de causar encanto. Ele é o que é, como a vida: nua, crua e por vezes dura. 







“Tu é coisa rara e nem se compara Nesse bando de alma rasa Que insiste que profundo é razão”(Tua caramassa)






Sério. Confia em mim e mergulha nesse álbum incrível, que é cheio de coisa boa e mensagem linda pra te contar. Só se joga! Ahhh, e depois volta aqui pra me contar o que achou, combinado?


Nota: 5,0/5,0

Até mais!


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