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A Grande Jogada | Crítica


Como uma atleta de ski se torna uma das maiores magnatas americanas através de jogatinas clandestinas.


Olá, pessoas.

Como estão indo? Sei que diante da situação que estamos vivendo nossas vida viraram de cabeça pra baixo e tudo parece frívolo e sem importância, mas precisamos fazer nossa parte e, acima de tudo, encontrar uma maneira de nos entretermos para que possamos passar por isso tudo da melhor forma possível. Digo isso pois durante o período de quarentena estou tentando correr atrás do prejuízo e assistir a um monte de filmes que ficaram acumulados ao longo dos anos. Rodrigo, um amigo meu - e visitante frequente do site - gentilmente fez uma lista com alguns filmes para assistir e tem sido realmente muito interessante e fora da minha zona de conforto esse desafio, já que pra mim é muito mais fácil ler um livro do que focar durante 2 horas para assistir um filme. O resultado é que estou assitindo coisas muito, muito boas!

Resolvi trazer uma das indicações dele para o texto de hoje pois é justamente uma dica ótima para você que está procurando um bom título para se distrair durante esse período. Hoje iremos discutir sobre o fantástico A Grande Jogada. Sei que o filme é um pouco antigo (Deus, é impressionante a rapidez com que as coisas se tornam obsoletas nos dias atuais), mas prometo que irá valer a pena.

Vamos começar?


Título Original: Molly's Game
Data de estreia: 26 de fevereiro de 2018
Direção: Aaron Sorkin
Gênero: Drama, Biografia
Distribuidora: Diamond Films
Duração: 2h20 min
Sinopse: Após perder a chance de participar dos Jogos Olímpicos devido a uma fatalidade que resultou em um grave acidente, a esquiadora Molly Bloom (Jessica Chastain) decide tirar um ano de folga dos estudos e ir trabalhar como garçonete em Los Angeles. Lá conhece Dean Keith (Jeremy Strong), um produtor de cinema que decide contratá-la como assistente. Logo Molly passa a coordenar jogos de cartas clandestinos, organizados por Dean, que conta com clientes muito ricos e famosos. Fascinada com o ambiente e a possibilidade de enriquecer facilmente, Molly começa a prestar atenção a todos os detalhes para que ela própria possa organizar jogos do tipo.




Qual a pior coisa que pode acontecer à um atleta? É com esse questionamento que A Grande Jogada se inicia, disposto a contar a vida de Molly Bloom (para quem não sabe, é uma história real). A jovem sempre se viu a sombra de seus irmãos e, devido a alguns problemas comportamentais, tinha uma difícil relação com seu pai, um psicólogo extremamente rígido. Durante uma competição de ski que a colocaria em uma ótima posição para participar das Olímpiadas, Molly sofre um terrível acidente que coloca um fim a sua carreira de atleta. Curada as lesões físicas, nada preenche o vazio que ela sente por dentro e é tomada por um forte sentimento de insatisfação sem poder praticar seu esporte favorito e ter enfrentado o fracasso mesmo após apostar todas suas fichas em se tornar uma atleta profissional. Decidida a recomeçar, Molly resolve tirar um ano sabático para descansar antes de ingressar na faculdade de direito e se muda para Los Angeles onde começa a trabalhar como garçonete em um bar e acaba conhecendo o produtor de cinema Dean Keith. O jovem rapidamente se interessa por ela e oferece uma vaga para trabalhar como sua assistente. Dentre outras obrigações, Bloom se torna a responsável por coordenar jogos clandestinos de Poker realizados por Keith em que participavam celebridades, atores e outros magnatas. Molly fica fascinada pela quantidade de dinheiro que os jogos conseguiam arrecadar e surge em sua mente a oportunidade de juntar o valor necessário para ingressar na universidade e viver uma vida tranquila. A jovem sempre muito esperta, começa a aprender mais sobre o negócio, assim como as estratégias utilizadas e como atrair cada vez mais pessoas para as jogatinas. Após um desentendimento com seu chefe, Molly é demitida e passa a agenciar as partidas por conta própria, atraindo os antigos jogadores e conseguindo novos, dando início a construção de um ambicioso e perigoso império, tendo em mãos os homens mais ricos e influentes do país.



A Grande Jogada é um drama autobiográfico dirigido por Aaron Sorkin adaptado do livro "Molly’s Game: From Hollywood’s Elite to Wall Street’s Billionaire Boys Club, My High-Stakes Adventure in the World of Underground Poker", em que a autora narra todo seu envolvimento no mundo ilícito dos jogos desde sua ascensão, passando pela época de sucesso, dinheiro abundante e muitas drogas, até a queda que culmina com o congelamento de todos seus bens e dinheiro, até seu julgamento e desdobramentos posteriores. Sorkin foi muito feliz na concepção do filme e, ainda que não tenha lido o livro, acredito que foi feito um bom trabalho adaptativo, pelo menos quando se trata nos quesitos de narrativa. Já que cito a narrativa, gostaria de destacar que achei a maneira escolhida para contar a história de Molly muito cativante, uma vez que mesclam flashbacks da personagem com os dias que antecedem o julgamento em que Bloom revisita suas memórias em reuniões intermináveis com seu advogado que prepara sua defesa. O livro que deu origem ao filme também é utilizado na narrativa pelo advogado para se aprofundar e conhecer melhor o passado de sua cliente. 

O filme mergulha e envolve o telespectador no mundo dos jogos em Los Angeles e como tudo gira em torno do dinheiro. Em uma noite, Bloom conseguia juntar uma quantia muito grande de dinheiro o que garantia a ela uma posição confortável e estável. O que era para ser um negócio passageiro e que serviria apenas como ponte para levá-la até a faculdade se transforma em seu estilo de vida ambicioso e repleto de luxos, joias, carros e vestidos de grife. Aqui entra a parte mais complicada do filme: Os vícios de Molly Bloom. Com o sucesso estrondoso de suas jogatinas que passam a ser cada vez mais frequentes, ela precisa se dedicar cada vez mais e mais, além de possuir inúmeras responsabilidades. O fato de poder controlar esses homens tão influentes e possuir informações valiosas que poderiam destruir carreiras e famílias colocam em Molly um alvo em suas costas e não demora a possuir inimigos tão poderosos e influentes quanto ela. Para aguentar sua intensa rotina, Bloom se torna usuária de drogas e álcool, utilizando-os como muletas e não demora para que as coisas fujam de seu controle. Em uma operação realizada pela polícia, o esquema de jogos é descoberto e ela se torna a peça chave em um processo envolvendo inúmeros de seus clientes. Ela pode se safar das acusações, desde que revele todas as informações que possua sobre os jogadores e Bloom se vê em um combate moral entre se livrar da cadeia e reaver seus bens, mas a perda seria muito grande: Sua moral.



Molly Bloom foi vivida pela incrível Jessica Chainstain e eu só tenho elogios para essa que é uma das melhores atrizes da nossa atualidade; Ela se mostrou extremamente confortável no papel e entrega uma atuação impecável, além de ser dona de uma beleza inigualável e que foi muito bem aproveitada por todo o luxo e vestidos de grife utilizadas pela personagem. Outro grande destaque do longa é Idris Elba que vive Charlie Jaffey, o advogado que posteriormente começa a cuidar de sua defesa. Ainda que o roteiro do filme seja muito bem trabalhado ao longo das mais de 2 horas em que o filme é contato, o ótimo trabalho do elenco é o grande destaque da obra. Destaco as inúmeras cenas em que Jessica divide a cena com Elba e os dois são um deleite para os cinéfilos entregando atuações de peso, repletas de emoções que humanizam ainda mais os personagens. Uma outra cena simplesmente incrível é a que Bloom conversa com seu pai (interpretado por Kevin Costner) sobre todo o sentimento de rejeição que sente desde sua infância. 

Li em alguns outros sites que o filme é massante e passa um tempo muito longo trazendo o universo do Poker para as telonas, deixando a história da protagonista de lado. Eu, no entanto, não concordo e acho que o filme apresenta um bom equilíbrio entre narrar a vida de Bloom e envolver o telespectador na rotina das jogatinas de Los Angeles. Ambos, ao meu ver, caminharam juntos e foram muito bem conectados e não me senti entediado vendo; na verdade até me surpreendi como o filme havia passado rápido. Finalizei o longa em êxtase e muito feliz de ter assistido essa grande história contada com tanto profissionalismo por esses atores tão talentosos: A Grande Jogada passa uma mensagem clara e é eficaz no que diz respeito ao atingir seu objetivo e se tornou um dos meus filmes favoritos dos últimos anos. Obrigado, Rodrigues. :)


Nota: 5,0/5,0

Bom, gente, espero que vocês tenham gostado do texto de hoje. Me conta aqui nos comentários se você já assistiu ao filme e o que acha. Não se esqueçam de nos seguir nas redes sociais e de compartilhar com seus amigos.

Espero que todos estejam bem e seguros.

Nos vemos em uma próxima data.

Até.


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